É o terceiro mês consecutivo que a poupança tem mais retirada do que depósitos realizados. De acordo com o Banco Central no mês de março a diferença foi histórica e superou o recorde de 1995. A diferença de valores chega aos R$ 15,4 bilhões e deve continuar subindo.
O Banco Central já revelou que os saques somaram no mês de março, o total de R$ 327,1 bilhões, enquanto o número de depósitos foi de R$ 311,7 bilhões. Como a saída de dinheiro tem sido maior que os depósitos, os recursos acabando ficando em déficit e isso acaba marcando mais um recorde.
O último recorde batido havia sido em 2015, quando o valor de diferença entre saque e depósito foi de R$ 11,4 bilhões também em um mês de março. Contudo, as coisas foram mudando, mas com o passar do tempo, voltaram a atingir essa diferença.
Recorde de saques acontece no primeiro trimestre de 2022
O que esperar para o resto do ano, se no terceiro mês, um recorde desse é batido? De acordo com o Banco Central, a retirada de recursos da poupança, acaba mostrando uma situação econômica não muito positiva para o país. No mês de janeiro, por exemplo, as retiradas também superaram os depósitos em cerca de R$ 19,7 bilhões. A data se tornou a maior saída líquida já registrada.
Contudo, a situação em fevereiro melhorou com uma diferença muito menor, de apenas R$ 5,3 bilhões entre saques e depósitos. Sendo assim, ao analisar o primeiro trimestre do ano, o total de diferença entre saques e depósitos em três meses é de R$ 40,4 bilhões, o que marca um novo recorde de período.
No ano anterior, o primeiro trimestre marcou o total de uma diferença de R$ 27,5 bilhões entre retiradas e depósitos. Portanto, o ano de 2022, vem superando de longe, anos anteriores em relação a diferença desses valores.
O Banco Central mostra quais podem ser os possíveis motivos
A retirada de recursos da poupança do início desse ano até agora, pode ter um motivo. De acordo com o Banco Central, existem gastos tradicionais de início de ano como IPTU e IPVA que comprovam que quem tinha uma reserva guardada na poupança, pode ter usado os valores para quitar as dívidas.
Além disso, o Banco Central também ressaltar a alta da inflação no país, que até o momento acumula a alta de 11,3% do último ano até aqui. Sendo assim, os preços mudaram para o consumidor, que sofre uma grande diferença em seu poder de compra.
De acordo com o IBGE, a inflação vem atingindo os brasileiros nos últimos 12 meses e isso também explica a saída em alta demanda. A alta da taxa Selic também induz os brasileiros a tirar o dinheiro da poupança. Como a taxa está atualmente em 11,75% ao ano, os investimentos no Tesouro Selic acabam sendo mais vantajosos que a poupança que não paga mais do que 6,17% ao ano com a TR (Taxa Referencial). Sendo assim, quem tem dinheiro na poupança, acaba perdendo para a inflação e assim, muitas pessoas preferem migrar para a renda fixa.
