O relógio de Hitler foi vendido em um leilão nos Estados Unidos por 1,1 milhão de dólares, o equivalente a 5,7 milhões na cotação atual.
Antes do evento acontecer, líderes judeus chegaram a pedir que a venda de pertences nazistas não fossem para leilão no país, o que não adiantou.
No local, o relógio do líder nazista foi adquirido por um comprador anônimo, e tem gravadas as iniciais A.H., além de uma suástica e uma águia símbolo da Alemanha nazista.
Casa de leilões x Associação Judaica Europeia
Após a repercussão do caso, a casa de leilões Alexander Historical Auctions, em Maryland, defendeu a arrematação do objeto, e informou que o intuito é exclusivamente de preservar a história.
“Se a história é destruída, não há provas de que ela aconteceu (…) Seja uma história boa ou ruim, ela deve ser preservada”, defendeu Mindy Greenstein, vice-presidente sênior da Alexander Historical Auctions.
Além disso, Greenstein enfatizou que a casa de leilões vende todos os tipos de objetos históricos, mas que a Segunda Guerra Mundial continua sendo popular devido ao interesse do público.
Para a Associação Judaica Europeia, este tipo de venda jamais deveria acontecer nos dias de hoje.
Para tentar impedir o evento, a associação tentou solicitar que a casa de leilões não continuasse com a arrematação de objetos nazistas em uma carta aberta assinada por 34 líderes judeus.
“Este leilão, inconscientemente ou não, está fazendo duas coisas: uma, socorrer aqueles que idealizam o que o partido nazista representava. Duas: oferecer aos compradores a chance de excitar um convidado ou ente querido com um item pertencente a um assassino genocida e seus apoiadores”, escreveu o rabino Menachem Margolin, presidente da associação.
Ainda segundo o rabino, esse tipo de venda é uma aversão, pois não há valor histórico intrínseco para a grande maioria dos lotes em exposição, e só se pode questionar a motivação de quem compra itens como esse.
“Embora seja óbvio que as lições da história precisam ser aprendidas – e artefatos nazistas legítimos pertencem a museus ou locais de ensino superior – os itens que vocês estão vendendo claramente não”, completou o rabino na carta.
Relógio de Hitler
O relógio de Hitler arrematado foi dado de presente para o líder nazista em seu aniversário de 1933, mesmo ano em que ele foi nomeado chanceler federal alemão.
De acordo com especialistas historiadores, o relógio pode ter sido apreendido por um soldado francês em 4 de maio de 1945, quando sua unidade se tornou a primeira força aliada a chegar à casa de repouso de Hitler em Berchtesgaden, nas montanhas da Baviera.
Posteriormente, o relógio havia sido vendido, e permaneceu na mesma família por gerações.
No mesmo leilão foram arrematados um papel higiênico da Wehrmacht – Forças Armadas da Alemanha nazista, talheres e taças de champagne de líderes nazistas, além de objetos da mulher de Hitler, Eva Braun, como um vestido e uma coleira de seu cachorro decorada com suásticas.
