A cantora canadense Céline Dion, de 54 anos, revelou nesta quinta-feira (8) que está com uma doença neurológica grave e rara chamada síndrome de stiff-person, ou síndrome da pessoa rígida (SPR).
A doença, que é caracterizada pela rigidez muscular progressiva e espasmos musculares, afastou a artista dos palcos em outubro de 2021. Ao todo, diversos shows de Céline foram adiados para 2024.
“Venho lidando com problemas de saúde há muito tempo, e tem sido muito difícil para mim enfrentar estes desafios e falar sobre tudo o que tenho passado… Me dói dizer que vou vencer. Estou pronta para reiniciar minha turnê na Europa em fevereiro”, diz a cantora na legenda do vídeo.
Cantora afirma que doença neurológica grave não tem cura
Além de grave, a cantora explica que a doença neurológica não tem cura, ataca o sistema nervoso, e atinge cerca de 1 em um milhão de pessoas, sendo assim uma condição rara.
“Os espasmos que tenho tido afetam cada aspecto da minha vida diária, às vezes causam dificuldades quando eu ando, [outras vezes] não me permitem usar minhas cordas vocais para cantar do modo como estou acostumada”, desabafa.
Conforme dados do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, a síndrome costuma afetar duas vezes mais mulheres do que homens, e na maioria das vezes está associada a outras doenças autoimunes como:
- Diabetes;
- Tireoidite de Hashimoto;
- Anemia;
- Vitiligo;
- Linfoma de Hodgkin;
- Entre outras.
“Os cientistas ainda não entendem o que causa o SPR, mas pesquisas indicam que é o resultado de uma resposta autoimune que deu errado no cérebro e na medula espinhal”, explica o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.
Diagnóstico e tratamento
Por ser uma condição rara, o diagnóstico requer atenção, pois muitas vezes os sintomas podem ser confundidos com outras doenças como Parkinson, esclerose múltipla, fibromialgia e até crise de ansiedade.
De acordo com Alex Baeta, neurologista da A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o diagnóstico mais certeiro pode ser definido com um exame de sangue que mede o nível de anticorpos descarboxilase do ácido glutâmico (GAD) no sangue.
“No tratamento da síndrome é usado o diazepam, que é um relaxante muscular, ou o baclofeno, utilizado para o mesmo fim. Também ministramos a imunoglobulina intravenosa (IgIV) e, em outros casos, corticoides.
Às vezes, incluímos nos tratamentos um anticorpo monoclonal chamado rituximabe ou utilizamos plasmaferese – uma espécie de filtração dos anticorpos do sangue”, explica Alex Baeta.
Por fim, o tratamento pode variar de acordo com cada indivíduo, e apesar de ajudarem a controlar e melhorar os sintomas, não tem cura.
