O serial killer que inspirou a série da Netflix ‘O Paraíso e A Serpente’ será solto após uma decisão da Justiça do Nepal. Charles Sobhraj, de 78 anos, está detido em uma prisão no subúrbio de Katmandu por matar dois turistas em 1975, mas seu nome está ligado a outros 20 assassinatos.
A alta corte do Nepal, onde o assassino está preso desde 2003, decidiu que ele deverá ser solto antecipadamente por motivos de saúde. No entanto, o criminoso não ficará em solo nepalês, ele será entregue às autoridades de migração para que seja deportado “ao seu país de origem”, em no máximo 15 dias após a soltura.
Segundo o porta-voz Bimal Paudel, o tribunal proferiu a decisão com base na sua idade e saúde. Em 2017, o serial killer foi submetido a uma extensa cirurgia de coração e a lei do país prevê que prisioneiros gravemente doentes e que já cumpriram 75% da pena podem passar por uma libertação compassiva.
História do serial killer que virou série da Netflix
O serial killer que virou série da Netflix nasceu em Saigon, Vietnã, em 1944, quando o país ainda era administrado pela França. Com nacionalidade francesa, ele dividia sua vida entre a Ásia e o país europeu.
Ele foi preso pela primeira vez em 1963 por roubo em Paris. Na prisão, ele conheceu Felix d’Escogne, com quem foi viver após ser libertado. Daí para frente, Sobhraj se tornou um perfeito vigarista e aprendeu a mentir como ninguém.
Antes de cometer seu primeiro assassinato, Sobhraj se casou com uma francesa e o casal se mudou para a Ásia. Ele foi preso algumas vezes, mas sempre dava um jeito de fugir. O que lhe rendeu a alcunha de “serpente”, apelido usado no título do seriado que conta sua história.
Em determinado momento, ele abandonou a esposa e a filha e passou a viver no Paquistão e na Tailândia. Em Bangkok, ele conheceu sua amante e cúmplice Marie-Andree Lecrerc e iniciou a vida de serial killer.
Seu modus operandi era se passar por vendedor de joias e enganar jovens turistas dos EUA e da Europa. Ele drogava as vítimas para depois assassiná-las e roubar seus passaportes.
A série da Netflix mostra que o assassino em série alegava que as vítimas eram mochileiros e hippies drogados e que, por isso, ele se considerava um herói ao matá-los. Na produção de oito capítulos também é possível ver que Sobhraj mantinha um jovem francês em cárcere privado e o drogava constante.
Segundo os produtores da série, na vida real, ele mantinha três vítimas em cárcere, mas como nunca mais se ouviu falar em duas delas, elas não foram retratadas.
O fato é que o verdadeiro número de vítimas de Sobhraj é desconhecido. A única certeza é que ele cometeu uma série de assassinatos na Ásia durante a década de 70.
Sua última prisão antes de ser detido no Nepal ocorreu na Índia, onde ficou entre 1976 e 1997, quando foi solto. Ele chegou a viver como um homem livre até 2003, mas ao viajar para o Nepal foi reconhecido e preso novamente.
