O número de vítimas fatais da seita no Quênia subiu para 89, nesta terça-feira (25), depois que mais 16 corpos foram encontrados na floresta de Shakahola, no leste do país. A informação foi divulgada pelo ministro do Interior, Kithure Kindiki, que acompanha o caso estarrecedor de perto.
Ainda conforme Kindiki, outras três pessoas foram encontradas com vida, o que elevou o número total de sobreviventes para 34. Todos eles foram localizados escondidos na floresta e precisaram ser hospitalizados devido ao estado de fraqueza e desnutrição em que se encontravam.
A macabra descoberta de dezenas de corpos dos membros da autoproclamada ‘Good News International Church’ (Igreja Internacional da Boa Nova) começou há menos de uma semana e, desde então, a polícia não para de encontrar pessoas mortas em uma área de 800 acres da floresta Shakahola, onde fica a base da seita.
Tudo começou depois que uma denúncia informou as autoridades sobre a possível existência de uma vala comum no meio da floresta. Parte dos corpos foram encontrados na vala e outros em covas espalhadas pela região. Em uma delas, por exemplo, a polícia acredita que os corpos exumados pertenciam a três crianças e seus pais.
Seita no Quênia incentivou jejum total
De acordo com as investigações, o fundador da seita no Quênia, Makenzie Nthenge, incentivou seus seguidores a fazerem jejum total até a morte “para conhecer Jesus”. Ele foi preso há dez dias, mas, segundo a polícia queniana, muitos fiéis permanecem escondidos jejuando na área de mata.
Conforme a mídia local, Makenzie já havia sido detido em março deste ano depois que duas crianças morreram de fome. Porém, ele pagou uma fiança de 100.000 xelins quenianos (cerca de R$ 3,7 mil) e foi liberado.
Makenzie virou pastor em 2003, após desistir da profissão de taxista. De acordo com o site queniano ‘Citizen Digital’, seus ensinamentos são polêmicos como desencorajar as pessoas a buscarem tratamento médico, punir envolvimento dos seguidores em atividades sociais, afirmar que a constituição do Quênia é satânica, etc.
Familiares de alguns fiéis afirmam que Makenzie fez uma lavagem cerebral nas vítimas e as convenceu a venderem suas casas para doar o patrimônio à igreja, a não mandarem mais os filhos para a escola e até queimou as credenciais acadêmicas de alguns.
Além do fundador da seita no Quênia, seis de seus seguidores também foram presos.
Pastor morre ao fazer jejum de 40 dias
Em fevereiro deste ano, um pastor identificado como Francisco Barajah, fundador da Igreja Evangélica de Santa Trindade, morreu ao tentar fazer um jejum de 40 dias, o mesmo feito por Jesus Cristo conforme consta na Bíblia sagrada.
Conforme a BBC News, o homem de 39 anos morreu depois de 25 dias sem água e sem comida, e já tinha perdido peso a ponto de não conseguir se levantar da cama.
Barajah chegou a ser levado a um hospital, onde foi diagnosticado com anemia aguda e insuficiência dos órgãos digestivos, mas apesar dos esforços dos médicos para salvá-lo, ele não sobreviveu.
Em 2015, um homem de Zimbábue veio a óbito após passar 30 dias sem comer. Em 2006, uma mulher morreu na tentativa de fazer um jejum semelhante em Londres, no Reino Unido.
