Uma mãe condenada por matar seus quatro filhos foi perdoada e inocentada após passar 20 anos na prisão na Austrália. Kathleen Folbigg, de 55 anos, foi solta nesta segunda-feira (5), depois que uma descoberta científica mostrou que seus bebês provavelmente morreram de causas naturais.
O primeiro filho de Kathleen, Caleb, nasceu em 1989 e morreu 19 dias depois, no que um júri determinou ser o crime menor de homicídio culposo. Seu segundo filho, Patrick, tinha 8 meses quando morreu em 1991. Dois anos depois, Sarah morreu aos 10 meses. Em 1999, a quarta filha, Laura, morreu aos 19 meses.
Em 2003, Kathleen foi condenada a 40 anos de prisão pelo assassinato de três de seus filhos e pelo homicídio culposo de um deles.
A condenação se deu porque todos os bebês morreram em circunstâncias semelhantes ao longo de uma década. A mãe sempre negou que tivesse tirado a vida de seus próprios filhos, mas acabou vencida pela acusação, mesmo com a ausência de provas físicas de seus crimes.
Segundo os promotores, as chances de quatro bebês de uma família morrerem de causas naturais antes dos dois anos eram tão grandes quanto as de se encontrar “porcos voando”.
O conteúdo dos diários de Kathleen também serviu como prova, pois algumas partes foram consideradas, na época, como confissões de culpa. Agora, no entanto, a interpretação mudou e as autoridades afirmam que “as evidências sugerem que eram os escritos de uma mãe enlutada e possivelmente deprimida”, que se culpava pelas tragédias.
A mãe condenada por matar os quatro filhos sempre sustentou que descobriu três das mortes durante idas ao banheiro e uma enquanto verificava o bem-estar de uma criança. O caso começou a ser revisado em 2022.
A decisão de sua soltura e perdão foi baseada em evidências que mostraram que suas filhas Sarah e Laura, na verdade, tinham uma variante genética rara, CALM2-G114R, o que pode ter causado suas mortes repentinas. Além disso, Laura também apresentava miocardite.
Já no caso de Patrick, um especialista apontou que ele apresentava uma possibilidade razoável de ser portador de um distúrbio neurogenético subjacente. E, por fim, as três situações anularam a acusação quanto à morte de Caleb, pois o argumento era a coincidência improvável de todos os irmãos terem morrido.
“Há uma dúvida razoável quanto à culpa da Sra. Folbigg pelo homicídio culposo de seu filho Caleb, a imposição de lesões corporais graves em seu filho Patrick e o assassinato de seus filhos Patrick, Sarah e Laura”, disse o procurador-geral Michael Daley.
Craig Folbigg, ex-marido de Kathleen e pai das crianças, não acredita na inocência da ex-esposa. Para ele, os diários comprovam a culpa da mulher nas mortes.
Em março deste ano, uma mãe que matou seus cinco filhos, na Bélgica, morreu após ser submetida a eutanásia, por sua própria vontade, no mesmo dia em que cometeu os assassinatos em 2007. Genevieve Lhermitte, de 56 anos, foi condenada à prisão perpétua em 2008.
