Rob McCallum, ex-consultor da OceanGate, afirmou em recente entrevista que os passageiros do submarino Titan perceberam que o veículo estava com problemas e tentaram se salvar antes da implosão. A declaração foi dada à revista ‘The New Yorker’.
Segundo McCallum, ele recebeu relatórios iniciais logo após o desaparecimento do submarino e o material indicava que os passageiros tentaram abortar a missão e retornar para a superfície minutos antes da implosão. Na ocasião, ele liderava uma expedição em Papua-Nova Guiné e logo compreendeu o que havia acontecido.
“O relatório que recebi imediatamente após o evento — muito antes da identificação do problema — foi que o submarino estava afundando a cerca 3.500 metros”, contou McCallum.
Ele ainda descreveu que os documentos informaram que o submarino “derrubou pesos” enquanto o relógio do oxigênio ainda estava funcionando, o que significa que a missão foi abortada e eles tentavam subir para a superfície, e “então perdeu as comunicações e o rastreamento, e uma implosão foi ouvida”.
Rob McCallum é um dos fundadores da empresa de expedição ‘EYOS Expeditions’ e já conduziu mergulhos com submarinos a inúmeros pontos do fundo do oceano, incluindo o Titanic. Ele foi conselheiro da OceanGate nas áreas de marketing e logística.
Em entrevista à CNN americana, Aileen Maria Marty, ex-oficial da Marinha e professora de medicina de catástrofes da Universidade Internacional da Flórida (EUA), explicou que a pressão sobre o submersível era tão grande que a implosão provavelmente ocorreu em uma fração de milissegundo e o cérebro humano não é capaz de perceber nada tão rápido.
“OS OCUPANTES DO TITAN MORRERAM SEM SABEREM QUE IRIAM MORRER. EM ÚLTIMA ANÁLISE, ENTRE AS MUITAS MANEIRAS DAS QUAIS PODEMOS MORRER, ESSA FOI INDOLOR”, AFIRMOU A ESPECIALISTA.
Na quarta-feira (28), os destroços do Titan chegaram ao porto de St. John, no Canadá. Horas depois, a Guarda Costeira dos Estados Unidos divulgou que possíveis restos humanos foram encontrados junto aos pedaços que sobraram do veículo
Para especialistas e alguns funcionários que passaram pela empresa de Stockton Rush, CEO e fundador da OceanGate, o desastre com o submarino Titan foi uma tragédia anunciada. Depois do acidente, uma série de condutas questionáveis por parte da empresa de expedição marítima vieram à tona.
Entre elas, a demissão de um funcionário – David Lochridge- que questionou o “controle de qualidade e segurança” em 2018 e, no mesmo ano, a completa indiferença à uma carta assinada por 38 empresários, exploradores de águas profundas e oceanógrafos, que alertavam Rush sobre o veículo.
Ainda conforme a reportagem, uma antiga troca de e-mails entre Lochridge e McCallum mostra a preocupação com os processos adotados por Rush.
“Não quero ser visto como um fofoqueiro, mas estou tão preocupado que ele se mate e outros na busca de aumentar seu ego”, escreveu David Lochridge sobre Stockton Rush, na época.
“Eu me considero muito corajoso quando se trata de fazer coisas que são perigosas, mas esse submarino é um acidente esperando para acontecer”, completou ele.
