Emanoel Araújo, artista plástico, escultor e curador do Museu Afro Brasil, morreu nesta quarta-feira (7), aos 81 anos, vítima de infarto.
Segundo nota divulgada pelo museu, o artista foi encontrado morto por um funcionário do Museu Afro Brasil em sua residência no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, por volta das 10h.
Rodrigo Garcia, governador de São Paulo, decretou luto oficial de três dias pela morte do artista.
“Emanoel Araújo foi um ícone da cultura negra no Brasil. Artista, professor, pesquisador e gestor público de múltiplos talentos, Emanoel deu uma nova dinâmica à Pinacoteca de São Paulo.
Fundou o Museu Afro Brasil e trabalhou durante toda sua vida pela valorização da história da arte afrodescendente brasileira e da arte africana. São Paulo seguirá com seus ensinamentos”, enfatizou o governador.
Quem foi Emanoel Araújo?
Emanoel Araújo ganhou vida no dia 15 de novembro de 1940, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia.
Sua primeira exposição se deu em 1959, ainda em Santo Amaro, sua terra natal. Na década de 1960, ele se mudou para Salvador e iniciou na Escola de Belas Artes da Bahia (UFBA), onde estudou gravura.
Entre 1981 e 1983, Emanoel foi diretor do Museu de Arte da Bahia, e lecionou artes gráficas e escultura no Arts College, na The City University of New York em 1988.
Entre 1992 e 2002 foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo, e em 1995 e 1996 foi membro convidado da Comissão dos Museus e do Conselho Federal de Política Cultural, instituídos pelo Ministério da Cultura.
A fundação do Museu Afro Brasil, em São Paulo, se deu em 2004, e assim ele permaneceu como Diretor Curador e Executivo até a sua morte.
Ao longo da vida, o artista expôs em várias galerias nacionais e internacionais, somando 50 exposições individuais e mais de 150 coletivas.
Atualmente, o profissional estava focado em trabalhar para levar o Museu Afro Brasil, em novembro, em uma exposição temática sobre o bicentenário da independência, entrelaçando duas datas: o 7 de setembro, proclamação da independência do país, e 2 de julho de 1823, efetivação do movimento da independência baiana.
Premiações
A primeira premiação nacional de Emanoel foi em 1966 por causa da sua participação na II Exposição Jovem Gravura Nacional no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo.
Em seguida, o artista também foi premiado no circuito internacional em 1972 com a medalha de ouro na 3ª Bienal Gráfica de Florença, Itália.
Seu primeiro prêmio foi apenas o pontapé inicial da carreira, e já em 1973 Emanoel recebeu outra medalha no prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor gravador, e em 1983 o de melhor escultor.
Em 1998, foi a vez de receber o prêmio “Cicillo Matarazzo” pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).
Em 2007, recebeu o Prêmio Clarival do Prado Valladares, e em 2020, ganhou a Medalha Zumbi dos Palmares pela Câmara Municipal de Salvador.
No ano passado, em 2021, o escultor recebeu a Medalha Tarsila do Amaral pelo Governo do Estado de São Paulo.
Durante sua gestão no Museu Afro Brasil, a exposição “Africa Africans” foi premiada como melhor exposição de 2015 pela ABCA.
Sua exposição “Francisco Brennand Senhor da Várzea, da Argila e do Fogo” recebeu o prêmio Paulo Mendes de Almeida, como a melhor exposição realizada no Brasil em 2017.
Velório e sepultamento
O velório do artista acontece nesta quinta-feira (8), a partir das 9h, na sede do Museu Afro Brasil, e será aberto ao público.
A entrada será pelo Portão 3 do Parque Ibirapuera, e o sepultamento será às 16h, no Cemitério da Consolação.
