O programa ‘Fantástico’, da Globo, exibiu com exclusividade, noite deste domingo (18), uma entrevista concedida por Rita de Cássia Corrêa, de 40 anos. Ela acusa o cantor e compositor Leandro Lehart, líder do grupo Art Popular, de estupro. O crime ocorreu em outubro de 2019.
Na semana passada, o artista foi condenado a 9 de anos de prisão por estupro e cárcere privado. Ele nega as acusações e poderá recorrer em liberdade.
Segundo o relato da vítima, ela começou a se aproximar de Leandro Lehart em 2017, através das redes sociais. Na época, o músico viu que Rita tocava piano e a convidou para ir até sua casa em uma região nobre de São Paulo, para conhecer o estúdio que ele tem no local.
A partir disso, ela teve outros encontros com Lehart e, em cinco deles, houve relações sexuais com seu consentimento. Rita ainda ressaltou que em todas as ocasiões, o artista foi muito educado e gentil, ao contrário do que aconteceu no dia em que foi abusada.
Conforme Rita contou à Globo, no dia fatídico, Leandro Lehart a convidou para subir no quarto dele e, posteriormente, sugeriu que os dois fossem até o banheiro para terminar o ato sexual. “Eu não vi maldade nisso. Em sair ali do quarto e terminar ali no banheiro a relação sexual”, contou a vítima ao jornalista Valmir Salaro.
No entanto, quando os dois chegaram no cômodo, ela afirma que o artista foi agressivo, a imobilizou e cometeu um ato escatológico à força.
“Na minha boca. Eu já comecei a me debater, e pedindo para ele parar. E tentando tirá-lo de cima de mim, mas eu não conseguia. Ele ainda se masturbou até chegar ao orgasmo”, relatou.
Depois do abuso, Rita explicou que o músico a deixou trancada no banheiro até que ela se acalmasse e só depois de um bom tempo chamou um carro de aplicativo para levá-la para casa.
Já em sua residência, Rita relembra que foi direto para o banheiro e enquanto chorava, tentava limpar dos resquícios do abuso sexual. “Tentando me higienizar, tentando tirar todo aquele cheiro horrível, aquele gosto, escovando meus dentes”, relatou ao ‘Fantástico’.
A vítima também contou que depois do episódio de violência, sua vida foi transformada pelos problemas emocionais que passou a sofrer. Ela perdeu o emprego como supervisora de bilheteria no Metrô de São Paulo e chegou, inclusive, a tentar tirar a própria vida.
Ainda segundo Rita, seis meses após o abuso, Lehart voltou a procurá-la e ao ser informado sobre o sofrimento pelo qual a mulher estava passando, tentou se redimir por mensagem de celular.
“Se te humilhei sexualmente e você está nessa situação, eu assumo isso. Com muita vergonha mas assumo. Porque fiz isso com uma mulher, em troca do meu prazer. Fui egoísta”, escreveu Lehart.
Posteriormente, Leandro Lehart ajudou Rita com pequenas quantias financeiras em algumas ocasiões e, em 2020, registrou um boletim de ocorrência. No documento, ele declarou que percebeu “certa fragilidade emocional” na mulher e, por isso, resolveu parar de se relacionar com ela.
No entanto, segundo o artista, Rita não teria aceitado bem a decisão e ele acabara por “concordar com devaneios e questões absolutamente íntimas para tranquilizar a inquietude dela”.
Lehart ainda pontuou que os pedidos de ajuda financeira feitos por Rita tinham caráter de extorsão e chantagem.
A mulher só procurou a polícia em 2021, após buscar ajuda em uma rede de apoio que orienta mulheres vítimas de violência. O caso foi mantido em segredo de Justiça até o dia 9 de setembro, quando saiu a condenação em primeira instância do cantor.
