As buscas pelo cão Wilson, que se perdeu após ajudar a encontrar as quatro crianças indígenas desaparecidas por quarenta dias na Amazônia colombiana, foram encerradas na região de San Jose del Guaviare, área de mata fechada e de difícil acesso. A informação foi confirmada pelas Forças Militares da Colômbia na quarta-feira (28).
“Usamos absolutamente todos os recursos, não poupamos esforços, usando todas as capacidades humanas e tecnológicas”, declarou o comandante de operações especiais das Forças Armadas, Pedro Sánchez, ao fazer o anúncio ao canal de notícias colombiano Caracol.
Aproximadamente cem soldados, outros cães farejadores e indígenas, foram mobilizados para as buscas ao cachorro – considerado fundamental para encontrar inúmeras pistas que indicavam que os irmãos estavam vivos – sob a premissa de “ninguém fica para trás”.
Na última segunda-feira (26), o Exército já havia informado que as possibilidades de encontrar o cachorro da raça pastor-belga-malinois eram pequenas. Nesse mesmo dia, o presidente Gustavo Petro condecorou os soldados responsáveis por resgatar as crianças e prestou uma homenagem ao cão farejador herói.
Como o cachorro Wilson não estava presente para receber sua medalha de honra, sua mãe o representou e a recebeu. “Wilson é um símbolo de um membro das Forças Armadas que não regressou depois de uma missão. Honraremos ele e todos os cães que perderam a vida protegendo os colombianos”, completou Sánchez.
Em entrevista ao Correio Braziliense, Juan Sebastian Sora Tafur, de 24 anos, voluntário da Defesa Civil colombiana, guia canino e última pessoa a ver o cão Wilson com vida, lamentou o fato dele não ter sido encontrado e falou sobre a possibilidade do cão ter sido atacado por algum animal selvagem.
Segundo o voluntário, as buscas pelo cachorro, depois das crianças serem localizadas, duraram aproximadamente 20 dias e foram usados todos os meios e estratégias possíveis para encontrá-lo. “Não ter resultados e não encontrar rastros foi muito duro”, disse o Tafur.
O cão Wilson ajudou na localização do avião que caiu no meio da selva Amazônica e dos corpos dos três adultos que morreram no acidente aéreo. Na sequência, ele foi usado para procurar pelas crianças que haviam sumido.
O desaparecimento do cachorro de seis anos foi relatado no dia 8 de junho, mas ele teria se afastado das equipes muitos dias antes, em 18 de maio. Quando sumiu, ele rompeu a coleira que o prendia ao condutor e entrou na mata fechada no rasto das crianças.
Os três irmãos, resgatados no dia 9 de junho, relataram que foram encontrados pelo cachorro, que estava muito magro, antes dos militares e tiveram sua companhia por três ou quatro dias. Um deles, inclusive, fez um desenho de Wilson na floresta e suas pegadas estavam no local.
De acordo o Exército, apesar de ter sido treinado para esse tipo de situação desde filhote, é possível que animal tenha ficado “desorientado com a complexidade do terreno”. A mídia colombiana divulgou que ele foi visto pelas equipes duas vezes após se perder, mas fugiu antes que pudesse ser resgatado.
