Um menino de 12 anos teve a cabeça recolocada em seu pescoço após sofrer uma decapitação interna em Jerusalém, Israel. A cirurgia extremamente rara e complexa ocorreu no Hadassah Medical Center e foi divulgada na última quarta-feira (5).
Suleiman Hassan, um palestino da Cisjordânia, andava de bicicleta quando foi atropelado por um carro e, devido a gravidade dos ferimentos, precisou ser levado de avião para a unidade de trauma da instituição de saúde em Ein Kerem.
De acordo com o hospital, os médicos logo constataram que os ligamentos que seguravam a base posterior do crânio do menino estavam gravemente danificados, deixando-o separado das vértebras superiores de sua coluna. Condição chamada de luxação bilateral da articulação atlanto-occipital e comumente conhecida como decapitação interna ou ortopédica.
A lesão é muito rara. Segundo o médico Ohad Einav, especialista em ortopedia, Hassan só pôde ser salvo graças aos avanços tecnológicos e da medicina.
“O procedimento em si é muito complicado e levou várias horas. Enquanto estávamos na sala de cirurgia, usamos novas placas e fixações na área danificada. Nossa capacidade de salvar a criança foi graças ao nosso conhecimento e à tecnologia mais inovadora na sala de cirurgia”, disse Einav.
Einav contou com a ajuda do também médico Ziv Asa e de uma grande equipe de profissionais durante o procedimento que ocorreu no início de junho. “Lutamos pela vida do menino”, completou o dr. Ohad Einav.
O menino que teve a cabeça recolocada no pescoço recebeu alta recentemente, com uma tala cervical, e continuará a ser cuidadosamente monitorado pela equipe do Hadassah.
“O fato de tal criança não ter déficits neurológicos ou disfunção sensorial ou motora, e de estar funcionando normalmente e andando sem auxílio após um processo tão longo, não é pouca coisa”, comemorou Einav.
De acordo com o jornal The Times Of Israel, um relatório do Hospital Infantil da Filadélfia de 2003 afirmou que dos 2.006 pacientes tratados por lesões na medula espinhal entre 1983 e 2003, apenas 16 sofreram de luxação da articulação occipital.
“A lesão é extremamente rara, mas sabemos que, como as crianças entre quatro e 10 anos têm a cabeça grande em relação ao corpo, elas são mais suscetíveis do que os adultos”, disse Einav.
A taxa de sobrevivência daqueles que sofrem decapitação interna é baixa. Na maioria dos casos, a lesão resulta em morte. Há evidências de que as crianças se saem melhor do que os adultos, mas ainda não há dados suficientes comparando crianças com adolescentes.
Uma pesquisa de 2021 de estudos sobre lesões em crianças e adolescentes descobriu que 55% não sobrevivem à lesão inicial, transporte para o hospital, cirurgia e recuperação.
