O governo do Talibã anunciou recentemente uma nova medida que proíbe a operação de salões de beleza no Afeganistão, decisão que representa mais um golpe para os direitos das mulheres no país.
A proibição causará o fechamento de milhares de estabelecimentos dirigidos por mulheres, que muitas vezes são o único meio de sustento para suas famílias. Além disso, os salões de beleza eram um dos últimos espaços de liberdade e socialização para as afegãs.
“A operação de salões de beleza femininos em Cabul e nas províncias do país será proibida dentro de um determinado período, licenças e contratos emitidos são inválidos”, disse o ministério em carta ao governo de Cabul.
Salões de beleza no Afeganistão tem um mês para encerrarem suas atividades
A nova medida foi confirmada à AFP por Mohammad Sadeq Akif Muhajir, porta-voz do Ministério da Prevenção do Vício e Promoção da Virtude, que não anunciou os motivos da decisão. “Assim que forem fechados, anunciaremos os motivos à imprensa”, declarou.
A partir do anúncio, os salões de beleza terão o prazo de um mês para o fechamento para que ‘esgotem seus estoques’.
Com o fechamento dos salões de beleza, as mulheres afegãs perdem um espaço importante para se reunirem e iniciarem seus próprios negócios, já que esses estabelecimentos proporcionavam um ambiente seguro e permitiam que elas se sentissem bem e socializassem.
“Quando vemos rostos alegres e cheios de energia, isso também nos dá vida. Os salões têm um papel muito importante: este espaço permite que nos sintamos bem”, disse uma afegã em entrevista a AFP.
Exclusão da sociedade
Desde que o Talibã retomou o poder em 2021, as mulheres afegãs têm enfrentado uma série de restrições em sua vida diária.
Elas foram excluídas da maioria das escolas, universidades e do serviço público, além de terem sofrido limitações para trabalhar em organizações internacionais e acesso a espaços públicos, como parques e academias.
Essa medida do governo talibã reflete, mais uma vez, na discriminação sistemática e institucionalizada enfrentada pelas mulheres afegãs.
Em um relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, Richard Bennett, relator especial para o Afeganistão, disse que a situação das mulheres no país “é uma das piores do mundo”.
“A discriminação grave, sistemática e institucionalizada de mulheres e meninas está no cerne da ideologia e do poder do Talibã”, afirmou.
