Depois que a notícia de que o leão considerado o mais velho do mundo vivendo na natureza foi morto no Quênia, na última quarta-feira (10), viralizou pelo mundo, o Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS) afirmou que pelo menos dez leões foram mortos no sul do país na semana passada.
Um porta-voz do KWS conversou com a CNN internacional, no domingo (14), e confirmou a matança dos animais selvagens. “Um número extraordinariamente grande de leões a serem mortos de uma só vez”, disse.
Seis leões mortos no Quênia de uma só vez
Segundo a KWS, seis leões foram assassinados no Quênia apenas no sábado (13). Eles teriam sido responsáveis pela morte de 11 cabras e um cachorro. A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que esses animais faziam parte do Parque Nacional de Amboseli, no distrito de Kajiado, perto do Monte Kilimanjaro.
O Parque Nacional de Amboseli foi declarado como reserva ambiental da Unesco em 1991.
De acordo com a Big Life Foundation, organização queniana que trabalha na redução dos conflitos entre humanos e animais selvagens, um grupo de nove leões jovens entrou no cercado onde estava o gado na aldeia de Mbirikani, na noite da sexta-feira (12).
Após muito esforço, moradores e funcionários da fundação conseguiram afugentar três deles, mas os outros se negaram a irem embora. Eles então foram afastados da aldeia e levados para as instalações cercadas da Big Life Foundation.
Porém, no decorrer do sábado, uma multidão de moradores começou a se juntar em torno do local e a tensão foi aumentando. Até que, em determinado momento, os aldeões romperam as cercas de onde os leões estavam retidos e assassinaram os animais com lanças.
Após as mortes, o Serviço de Vida Selvagem do Quênia organizou uma reunião com moradores e funcionários do governo para discutir o assassinato dos animais selvagens.

“As discussões centraram-se na exploração de formas de minimizar o risco de conflito entre humanos e animais selvagens, incluindo o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce para alertar as comunidades sobre a presença de vida selvagem nas proximidades”, diz parte de um comunicado.
“Outras discussões centraram-se na imagem mais ampla de explorar o conflito entre a vida humana e a vida selvagem no contexto da subsistência da comunidade e da partilha de benefícios para uma convivência harmoniosa na comunidade aberta e paisagens da vida selvagem”, completou a instituição.
O grupo Lion Guardians, que trabalha na conservação dos leões, explica que uma forte seca que atinge a região aumentou o conflito entre o homem e os leões nos últimos tempos. Isso porque as presas da natureza se tornam mais difíceis de caçar e os predadores acabam indo mais longe em busca de alimento.
Para as entidades que trabalham no local, a única forma de minimizar esse tipo de tragédia é a implementação de programas que indenizem os criadores de gado pelos prejuízos causados pelos animais selvagens.
Leão mais velho do mundo é morto
A morte do leão mais velho do mundo vivendo em liberdade, conhecido como Loonkito, virou notícia pelo mundo por mostrar as dificuldades em administrar a convivência da vida selvagem com o homem.
Loonkito tinha 19 anos de idade e foi morto por agricultores do povo Maasai Morans após atacar o gado dos criadores. A maioria dos leões vive em média 13 anos na natureza e quase todos os animais livres dessa espécie estão na África.
O grupo Lion Guardians não culpou os agricultores pela morte do animal selvagem, pelo contrário, ressaltou que a situação foi difícil “para ambos os lados, a população e o leão” e elogiou a comunidade como um “um símbolo de resiliência e coexistência”.
