Singapura executou a primeira mulher desde 2004 nesta sexta-feira (28). Saridewi Djamani, de 45 anos, foi enforcada após ser condenada por tráfico de drogas em 2018. Segundo o Departamento Central de Narcóticos, ela foi presa em posse de 30 gramas de heroína.
Há quase 20 anos, a cabeleireira Yen May Woen, de 36 anos, foi enforcada em 19 de março de 2004. Ela recebeu a pena capital, também por tráfico de drogas, depois de ser pega transportando 120 sachês com heroína pura, cada um contendo cerca de 30 gramas da
substância ilícita.
De acordo com o The Guardian, Saridewi recorreu ao Tribunal de Apelação de Singapura pedindo a pena alternativa de prisão perpétua e afirmou que ao prestar depoimento na época da prisão, não foi capaz de dar declarações precisas à polícia porque estava sofrendo de abstinência de drogas.
Contudo, o juiz responsável pelo caso não aceitou o argumento e afirmou que ela não teve as capacidades mentais prejudicadas pelo o que ele afirmou ser “no máximo uma leve a moderada abstinência de metanfetamina durante o período de tomada de depoimentos”.
Além disso, apensar de ter um longo histórico de abuso de drogas, depois de ser presa em 2016, conforme as autoridades, seu exame de urina não demonstrou uso de heroína.
Grupos de direitos humanos, entre eles, a Anistia Internacional, a Federação Internacional de Direitos Humanos e a Comissão Global sobre Políticas de Drogas pediram a suspensão da pena de morte imputada à mulher, mas a Justiça de Singapura não atendeu a solicitação.
As execuções em Singapura foram interrompidas por dois anos durante a pandemia de Covid-19 e retomadas em 2022. Desde então, o país executou 15 condenados.
Em abril deste ano, um homem de 46 anos foi enforcado após ser condenado à morte devido a 1 kg de maconha em Singapura. O prisioneiro foi identificado como Tangaraju Suppiah e sempre negou o crime de tráfico.
Preso em 2014 por uso de drogas, Tangaraju foi ligado, enquanto estava na prisão, através de uma investigação policial, a um crime de tentativa de tráfico ocorrida em setembro de 2013.
Em 2017, ele foi condenado por “participar de uma conspiração de tráfico” de 1 kg e 17 gramas de maconha, o dobro do volume mínimo exigido para a pena de morte no país. E, um ano depois, foi sentenciado à morte.
Enquanto Singapura mantém uma das leis antidrogas mais rígidas do mundo, a vizinha Tailândia, por exemplo, legalizou a cannabis. Outro país asiático também conhecido por não ter piedade nos casos envolvendo drogas é a Indonésia, inclusive, dois brasileiros já foram executados por lá.
Em junho deste ano, a brasileira Manuela Vitória de Araújo Farias, presa com drogas na Indonésia, escapou de pena de morte e foi condenada a 11 anos de prisão. Além da execução, ela também corria o risco de ser sujeita a pena de prisão perpétua e sua defesa classificou a pena como “um milagre”.
