Pode parecer loucura, mas em pleno século 21 um terço dos homens alemães entre 18 e 35 anos considera “aceitável” recorrer à violência contra suas parceiras.
Essa é a preocupante conclusão de uma pesquisa representativa de âmbito nacional realizada pela organização de ajuda humanitária e desenvolvimento Plan International Deutschland, que publicou os resultados no jornal regional Westdeutsche Allgemeine Zeitung.
A pesquisa online envolveu mil homens e mil mulheres com idades entre 18 e 35 anos, e foi realizada entre os dias 9 e 21 de março de 2023, utilizando um formulário escrito padronizado.
34% dos homens alemães admitiram bater em mulheres para ‘impor respeito’
De acordo com o estudo, 33% homens alemães entre 18 e 35 anos considera “aceitável” recorrer à violência contra suas parceiras. Além disso, 34% admitiram ter sido violentos com suas parceiras para “impor respeito”.
Para Karsten Kassner, encarregado no assunto da federação de política dos sexos Bundesforum Männer, o resultado é assustador.
“É problemático um terço dos homens indagados minimizar a agressão física contra mulheres. Isso precisa mudar urgentemente”, ressaltou.
A pesquisa também revelou que muitos alemães ainda estão presos a estereótipos de gênero. Para 52% dos entrevistados, o papel do homem é o de provedor financeiro, enquanto a mulher deve se dedicar principalmente às tarefas domésticas.
Outros aspectos preocupantes levantados pela pesquisa são a aversão à liberdade sexual feminina e a repulsa contra manifestações públicas de homossexualidade. Metade dos jovens afirmou não estar disposta a se relacionar com mulheres que tiveram vários parceiros sexuais, demonstrando uma visão limitada e preconceituosa.
Além disso, 48% dos entrevistados disseram se sentir “incomodados” com a homossexualidade em espaços públicos.
Outra descoberta revelou que 51% das pessoas consideram-se frágeis e vulneráveis ao expressarem seus sentimentos, embora 63% admitam já terem experimentado tristeza, solidão ou isolamento.
Outros dados na Alemanha
De acordo com estatísticas da Polícia Criminal Federal da Alemanha (BKA), houve 115.000 casos de violência doméstica contra mulheres na Alemanha em 2021.
Além disso, a Alemanha enfrenta um dos maiores índices de feminicídio na Europa, um problema que foi agravado durante a pandemia de coronavírus, de acordo com informações fornecidas pelo BKA.
Recorde de feminicídios! Uma mulher é morta a cada seis horas no Brasil
Em 2022, o Brasil teve um aumento de 5% nos casos de feminicídio, em que uma mulher é assassinada a cada seis horas só por ser mulher.
Em relação ao número de assassinatos sem o recorte de gênero, 2022 teve o menor da série histórica do Monitor da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com 1% menos mortes em 2022 que em 2021.
Veja outros dados expressivos e importantes levantados pelo g1:
- o Brasil teve 3,9 mil homicídios dolosos (intencionais) de mulheres em 2022 (aumento de 2,6% em relação ao ano anterior)
- foram 1,4 mil feminicídios, o maior número já registrado desde que a lei entrou em vigor, em 2015
- 12 estados registraram alta no número de homicídios de mulheres
- 14 estados tiveram mais vítimas de feminicídio de um ano para o outro
- Mato Grosso do Sul e Rondônia são os estados com o maior índice de homicídios de mulheres
- MS e RO têm as maiores taxas de feminicídios do país
Ainda segundo o Anuário de Segurança Pública, de 10 crimes de feminicídio, pelo menos 8 são cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas.
“Os feminicídios têm sempre o mesmo cerne: a desigualdade de gênero. Esta desigualdade, que está presente nas relações sociais, é baseada na crença de que as mulheres são subalternas aos homens e que suas vontades são menos relevantes.
A violência de gênero reflete a radicalização desta crença que, muitas vezes, transforma as mulheres em objetos e ‘propriedade’ de seus parceiros”, enfatizaram as pesquisadoras Debora Piccirillo e Giane Silvestre, do NEV-USP.
