A cidade holandesa de Haarlem ficou conhecida após proibir propagandas de carne em espaços públicos como forma de conscientizar a população sobre o impacto climático no consumo desenfreado de proteína animal.
A lei, que valerá a partir de 2024, é 100% nova e nunca foi aplicada em nenhum outro lugar do mundo antes.
Propagandas de carne serão proibidas em cidade da Holanda, mas como isso vai funcionar?
A proposta de acabar com as propagandas de carne foi elaborada pelo GroenLinks, um partido verde, e enfrentou bastante oposição da indústria e dos que são contrários com o argumento de que isso reprimiria a liberdade de expressão dos indivíduos.
“As autoridades estão indo longe demais ao dizer às pessoas o que é melhor para elas”, afirmou um porta-voz da Organização Central do Setor de Carnes.
De acordo com Ziggy Klazes, vereadora do GroenLinks que redigiu a proposta, a carne é muito prejudicial ao meio ambiente.
“Não podemos dizer às pessoas que há uma crise climática e incentivá-las a comprar produtos que fazem parte dela”, disse Ziggy ao jornal Trouw.
Ao todo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a pecuária gera mais de 14% de todos os gases de efeito estufa produzidos pelo homem, incluindo o metano.
Até o momento, o governo da cidade de 160 mil habitantes não decidiu se a carne sustentável será incluída na proibição de anúncios.
Até 2024, a luta contra a medida promete, já que o partido de direita BVNL afirmou que a ação é uma grande violação da liberdade empresarial, e gerará grandes prejuízos aos suinocultores.
“Proibir propaganda por motivos de origem política é quase ditatorial”, declarou o vereador Joey Rademaker.
Por que a carne bovina teve o menor nível de consumo em 26 anos no Brasil?
Você tem ideia do motivo que leva a carne bovina ter o menor índice de consumo em 26 anos no Brasil? De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o consumo per capita já vem recuando nos últimos anos.
Segundo a projeção, o consumo por habitante no ano de 2019 era de 30,6 kg, ainda em um período de pré-pandemia de covid-19.
Em 2022, o índice atingiu 24,8 kg por pessoa, demonstrando uma queda de 20% e também o menor nível da série histórica desde 1996.
O ano de 2006 registrou o maior nível de consumo de carne bovina por habitante: 42,8 kg por pessoa.
Segundo o levantamento, o resultado do consumo por pessoa varia entre muitos fatores, como por exemplo a disponibilidade do produto no mercado interno, o volume importado com a produção nacional, a pandemia e até o poder de compra dos brasileiros, que diminiu muito com a alta inflação no país, atingindo 11,89% no acumulado dos últimos 12 meses.
De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, em apenas um ano os cortes de carne bovina no Brasil com maiores aumentos foram:
- Picanha – 9,21%
- Alcatra – 9,20%
- Fígado – 6,59%
- Filé-mignon – 5,75%
- Patinho – 4,9%
Para Sergio De Zen, diretor de informações agropecuárias e políticas agrícolas da Conab, os números refletem uma tendência global que não acontece necessariamente de um ano para o outro.
“Na realidade, não é o movimento de um ano, vem acontecendo ao longo de anos, porque existe um aumento de renda em países que consomem pouca carne bovina, como Vietnã, Camboja e Indonésia, e eles praticamente dobraram o consumo, mas ainda em quantidades baixas”, afirma.
Além disso, Sergio explica que a carne bovina tem uma condição de produção diferente das demais, pois demanda muitos insumos e tempo para ser produzida.
Dessa maneira, segundo ele, o país lida com o aumento do preço e a consequente diminuição do consumo.
