Três meses após a seita que obrigava seus seguidores a jejuarem até a morte no Quênia ser descoberta, as autoridades do país africano localizaram na segunda-feira (17) mais 12 corpos enterrados na floresta de Shakahola. Com os novos cadáveres, o número de vítimas fatais conhecidas da autoproclamada ‘Igreja Internacional da Boa Nova’ chega a 403.
O caso foi apelidado no país de “massacre de Shakahola”, pelo fato das vítimas estarem enterradas em valas comuns ou individuais na floresta queniana.
De acordo com o legista do governo queniano, Johansen Oduor, as autópsias mostraram que a maioria das vítimas da seita no Quênia morreram de fome, mas também existem indícios de que algumas delas tenham sido sufocadas, espancadas ou estranguladas.
Mackenzie está preso desde 14 de abril e será acusado de vários crimes, entre eles, terrorismo. Outras 16 pessoas foram detidas por vigiaren os seguidores para se certificar de que eles não iriam quebrar o jejum ou fugir da floresta de Shakahola.
A seita no Quênia chamada Igreja Internacional da Boa Nova
Todos os mortos eram seguidores da autoproclamada ‘Good News International Church’ (Igreja Internacional da Boa Nova), comandada por Makenzie Nthenge, começou em meados de abril.
A investigação iniciou em março quando um homem procurou a polícia para dizer que seu irmão e sua cunhada haviam deixado os filhos morreram de fome por ondem do chefe da seita, Makenzie Nthenge. Na ocasião, duas crianças foram encontradas enterradas em covas rasas na floresta e a terceira foi resgatada muito fraca, mas com vida.
Makenzie chegou a ser preso, mas acabou livre após pagar uma fiança de 10 mil xelins (R$ 368). Segundo uma testemunha, que foi expulsa da seita porque bebeu água em vez de jejuar até a morte, quando voltou ao acampamento na floresta, o líder antecipou a data do fim do mundo, antes prevista para agosto deste ano, para 15 de abril.
Ele então convocou uma reunião com todos os membros e declarou que os “escolhidos”, ou seja, seus seguidores, precisavam seguir em frente para encontrar Jesus antes do fim do mundo.
Em 13 de abril, uma denúncia informou as autoridades sobre a possível existência de uma vala comum no meio da floresta e polícia foi até o local. Naquele dia, 15 pessoas foram encontradas deitadas no chão, das quais quatro morreram antes de chegarem ao hospital devido ao estado de fraqueza e desnutrição.
A partir de então, agentes iniciaram buscas coordenadas em uma área de 800 acres da floresta Shakahola. Nos dias seguintes, inúmeros corpos começaram a ser localizados e seguidores que continuavam escondidos jejuando foram resgatados.
Quem é Makenzie Nthenge
Makenzie virou pastor e criou a própria igreja em 2003, após desistir da profissão de taxista. Seus ensinamentos são polêmicos como desencorajar as pessoas a buscarem tratamento médico, punir envolvimento dos seguidores em atividades sociais, afirmar que a constituição do Quênia é satânica, etc.
Familiares de fiéis afirmam que Makenzie fez uma lavagem cerebral nas vítimas e as convenceu a venderem suas casas para doar o patrimônio à igreja, a não mandarem mais os filhos para a escola e até queimou as credenciais acadêmicas de alguns.
Em março de 2017, a polícia revistou o complexo onde funcionava a ‘Igreja Internacional da Boa Nova’ em Malindi e encontrou 43 crianças vivendo no local, sem frequentar a escola. Na época, Makenzie foi acusado de oferecer educação em uma instalação não registrada, mas após um acordo pôde continuar com seus ensinamentos.
Já em 2019, as autoridades do Quênia ordenaram fechamento da seita, ocasião em que Makenzie fugiu com os seguidores para a floresta Shakahola, onde permaneceu com a sede da ‘igreja’ até ser preso.
