Você perdoaria uma traição? De acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (5), algumas espécies de pássaros enfrentem o ‘divórcio‘ após serem trocados por outros parceiros durante o processo de reprodução.
Mas como isso é possível?
Um estudo publicado pela revista Proceedings of the Royal Society B afirma que ao longo de uma estação de reprodução, cerca de 90% das aves têm um único parceiro. No entanto, mesmo com os parceiros ainda vivos, algumas aves optam por mudar de par, o que é classificado como um comportamento de ‘traição’ e ‘promiscuidade’.
“Após a migração, os pares podem chegar ao seu destino de forma assíncrona, levando a uma situação em que a chegada antecipada pode acasalar com um parceiro diferente, resultando em um ‘divórcio’. A migração também pode levar a pares pousando em diferentes locais de reprodução, causando ‘divórcio’ devido à perda acidental”, informou os estudiosos.
Como a promiscuidade e falta de comprometimento levam alguns pássaros rumo ao divórcio?
Um dos fatores que contribuem para essas separações é a promiscuidade masculina. Quando um macho se torna promíscuo, dividindo sua atenção e recursos entre várias fêmeas, ele pode ser percebido como menos comprometido, tornando-se menos atraente como parceiro e, consequentemente, mais propenso a um “divórcio” na próxima temporada de reprodução.
“Quando um macho é promíscuo, [esse comportamento] é, muitas vezes, percebido como uma diminuição no seu comprometimento, uma vez que a sua atenção e recursos estão divididos entre várias fêmeas.
Isto pode torná-lo menos atraente como parceiro e, portanto, mais propenso a estar ‘divorciado’ na temporada de reprodução seguinte”, explica o investigador Zitan Song, co-autor do estudo, ao The Guardian.
Além disso, as migrações de longa distância também desempenham um papel significativo nas separações. Após a migração, os casais de pássaros podem chegar ao destino em momentos diferentes, o que pode levar a situações em que um dos parceiros acaba se acasalando com outro, resultando em um “divórcio”.
A migração também pode fazer com que os pássaros pousem em diferentes locais de reprodução, levando a separações devido a perdas acidentais.
“Após a migração, os pares podem chegar ao seu destino de forma assíncrona, levando a uma situação em que a chegada antecipada pode acasalar com um parceiro diferente, resultando em um ‘divórcio’.
A migração também pode levar a pares pousando em diferentes locais de reprodução, causando “divórcio” devido à perda acidental. Esse efeito se intensifica com o aumento da distância de migração”, observou a equipe de estudiosos.
Espécies e outras influências
Espécies como tarâmbolas, andorinhas, andorinhas-azuis, papa-figos e melros apresentaram taxas elevadas de “divórcio” e promiscuidade masculina, enquanto almas-de-mestre, albatrozes, gansos e cisnes mostraram taxas mais baixas.
Para a pesquisa, essas descobertas fornecem uma visão interessante sobre o comportamento das aves, e sugerem que o “divórcio” não é apenas uma estratégia individual para aumentar a aptidão, já que a conduta também é influenciada por fatores ecológicos, comportamentais e sociais.
Os pesquisadores também observaram que as taxas de mortalidade e as distâncias de migração parecem estar relacionadas à promiscuidade masculina, indicando possíveis efeitos indiretos no processo de “divórcio”.
Por outro lado, a promiscuidade afeta machos e fêmeas de maneiras diferentes. Conforme Zitan Song, a promiscuidade das fêmeas nem sempre acaba em divórcio, pois a incerteza quanto à paternidade das crias pode levar os machos a se dedicarem aos cuidados parentais, buscando garantir sua descendência, mesmo que tenham sido ‘trocados’.
Por fim, o estudo também revela que à medida que as mudanças climáticas tornam as migrações mais imprevisíveis, esses resultados têm implicações importantes para entender como as aves lidam com os desafios ambientais e como seu comportamento reprodutivo é moldado por essas pressões.
