Uma mulher apelidada de ‘vovó do crime’ foi desmascarada após passar anos enganando sua família e colegas de trabalho. Joanne Marian Segovia, de 64 anos, é acusada de administrar uma quadrilha global de fentanil enquanto trabalhava para um sindicato de polícia nos EUA.
Familiares e conhecidos de Segovia se mostraram incrédulos com a acusação, feita na última semana, e afirmaram que ela levou uma vida dupla digna de Walter White, personagem principal da série ‘Breaking Bad’, sem que ninguém desconfiasse de sua atuação no tráfico de drogas.
Segundo a investigação, entre o final de 2015 e janeiro deste ano, a ‘vovó do crime’ recebeu em sua casa, localizada em um condomínio fechado de San Jose, na Califórnia, pelo menos 61 carregamentos de drogas ilegais de Hong Kong, Hungria, Índia e Cingapura.
Ela trabalhava como diretora executiva da Associação de Policiais de San Jose e, conforme alegado na denúncia federal, usava os computadores pessoais e do escritório para encomendar milhares de comprimidos de opioides e outras drogas, que eram recebidas em sua casa e depois despachadas para todo o país.
Os promotores afirmam que os carregamentos de drogas eram marcados como “brindes de festa de casamento” ou “chocolate e doces”.
Em entrevista ao jornal local ‘The Post’, parentes afirmaram que a família ainda está tentando entender o por quê de Segovia ter entrado para o mundo do crime.
“Ainda estamos tentando entender tudo porque não é ela. Nossa família está muito chocada e surpresa. Ninguém sabia de nada!”, afirmou um. “Eles não precisavam de dinheiro. Ambos ganharam muito dinheiro e não precisavam de nada”, disse outro, sobre Segóvia e o marido.
“Ela é a senhora mais doce de todas, muito amorosa, muito generosa, muito voltada para a família. Ela é uma senhora incrível. É por isso que estamos todos surpresos e mal podemos acreditar”, disse uma sobrinha de Segovia ao The Post, sob condição de anonimato.
A mulher ainda acrescentou que não acredita que o marido da ‘vovó do crime’ estivesse a par das atividades escusas da esposa: “Posso garantir 1.000.000% de que ele não fazia ideia disso”.
Até o momento, o veterano militar Domingo Segovia, de 79 anos, não se manifestou sobre o suposto alter ego de sua esposa como traficante internacional de drogas.
Os colegas de trabalho da ‘vovó do crime’ também demoraram para acreditar na denúncia, mas agora estão revoltados.
“Quando a notícia estourou, foi total descrença. Isso agora se transformou em raiva devido ao suposto engano e ao que as acusações detalham. Todo policial trabalha tentando tirar fentanil e outras drogas das ruas, então você se sente um pouco traído”, disse Tom Saggau, o porta-voz do sindicato dos policiais.
“Ela era muito gentil, ela era legal, ela trazia biscoitos e doces. […] Ela era como a vó de POA (sigla do sindicato). Ninguém vai pensar que a vovó está traficando fentanil”, completou Saggau.
Segovia negou as acusações e afirmou que a verdadeira mentora do tráfico era sua governanta, uma “amiga da família” que supostamente sofria de um distúrbio de abuso de substâncias. Ela foi afastada do sindicato e responderá o processo em liberdade. Se condenada poderá pegar até 20 anos de prisão.
