A defesa da mãe que confessou ter matado os dois filhos em Guarapuava, na região Central do Paraná, pediu um laudo de insanidade mental para a suspeita. Eliara Paz Nardes, de 31 anos, foi presa no último sábado (27) depois que os corpos das crianças, de três e 10 anos, foram encontrados em cima da cama no apartamento da família.
Agentes foram até o imóvel após a mulher ligar para um amigo advogado e contar o que havia feito. Em choque, o homem entrou em contato com a polícia e solicitou que uma equipe fosse até o local para saber o que estava ocorrendo.
Eliara vivia sozinha com os dois filhos na cidade paranaense há cerca de cinco meses. Natural de Santa Catarina, ela costumava se mudar com frequência e tinha pouco contato com os familiares. Quanto aos pais das crianças, o pai da menina morreu e o do menino vive em Itajaí, Santa Catarina.
Mãe confessa assassinato dos filhos no Paraná
De acordo com a Polícia Civil, informalmente, a mãe afirmou ter assassinado os filhos cerca de 15 dias antes dos corpos serem achados. Ela contou que o menino de três anos foi asfixiado com um travesseiro, enquanto a garota de 10 anos foi enforcada com um cachecol.
A delegada Ana Hass, responsável pelo caso, informou que a mãe disse ter matado os dois filhos no dia 13 de agosto quando entrou em uma espécie de surto. No entanto, o estado avançado de decomposição do corpo da criança mais nova indica que ela foi assassinada cerca de quatro dias antes da irmã.
Os laudos pericial e do Instituto Médico Legal (IML) – que deverão comprovar a data do crime, assim como a forma que as vítimas foram mortas – são aguardados para validar ou não a versão dada por Eliara.
Ainda conforme a polícia, a mãe deixou alguns manuscritos nos quais escreveu que sempre foi muito sozinha, que “não aguentava mais” e que tudo na sua vida começou a dar errado depois que conheceu o pai de seu segundo filho. O homem em questão pagava pensão alimentícia ao menino, mas tinha pouco contato e não ajudava na criação.
Eliara atuava como agente de crédito consignado em casa e, mesmo após matar os filhos, continuou trabalhando normalmente e saindo do apartamento quando necessário.
Delegada aponta frieza da mãe
Para a delegada, a mãe agiu de forma fria e calculista e, provavelmente, premeditou a morte dos filhos, por isso, ela não acredita em surto psicótico. O fato de Eliara ter permanecido aproximadamente 14 dias com os cadáveres também aponta que ela estava construindo uma estratégia de defesa.
À polícia, Eliara declarou que nos dias em que ficou com os filhos mortos, tentou tirar a própria vida sem sucesso, por várias vezes, até que decidiu contar ao amigo o que havia feito.
Hass ainda explicou que apesar de assumir os assassinatos, Eliara afirma que a culpa não foi sua e terceiriza a responsabilidade, ao mesmo tempo em que mantém um discurso egoísta que sempre gira em torno de si mesma.
Além disso, Hass pontua que a mãe não demonstra arrependimento pelo crime e, até o momento, só aparentou consternação ao ser informada de que seria encaminhada para a prisão.
Os corpos das crianças foram sepultados na última segunda-feira (29) em Itajaí.
