Um bebê prematuro foi infectado pelo superfungo Candida Auris no Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti, da Unicamp, em Campinas, São Paulo (SP). Segundo a Secretaria de Saúde, esse é o primeiro caso de contaminação no estado.
A divulgação ocorreu na tarde de quarta-feira (7), mas a doença foi diagnosticada em 18 de maio. Em nota, a pasta informou que a criança apresenta boa evolução clínica e que suas fragilidades estão ligadas ao fato de ter nascido prematuramente.
Segundo o hospital, não houve outros casos de infecção. Para evitar que o superfungo Candida Auris se espalhe pela instituição de saúde foram adotadas uma série de medidas de prevenção e controle. A Secretaria de Saúde informou que a situação também é acompanhada pela Vigilância Sanitária.
“Todas as medidas de contenção da disseminação estão sendo adotadas, com ampla investigação em relação aos profissionais e pacientes do hospital”, disse a secretaria em nota.
Superfungo Candida Auris
Identificado pela primeira vez em 2009, no Japão, a Candida auris (C. auris) é um fungo com capacidade de resistência à maioria dos medicamentos antifúngicos existentes – e em alguns casos a todos -, com dificuldade de identificação e resistência também à maioria dos desinfetantes, o que dificulta seu controle.
A espécie produz o que os cientistas chamam de biofilme, camada protetora que torna a Candida auris resistente ao fluconazol, à anfotericina B e ao equinocandina, três dos principais compostos antifúngicos.
O primeiro caso no Brasil foi registrado em 2020 e agora, em 2023, há um surto em Pernambuco.
“O grande problema é que os métodos convencionais de diagnóstico não conseguem identificar ou fazer diagnósticos diferenciais do fungo, então a gente precisa de métodos mais específicos e às vezes até mais caros”, explica a médica infectologista do Hospital das Clínicas da UFPE, Suennya Brito.
Especialistas apontam que a colonização ou a infecção do superfungo atinge um grupo muito específico: pessoas hospitalizadas e fragilizadas e que nesses pacientes ele chega a causar outras doenças mais graves. Em pessoas saudáveis o risco de colonização é muito pequeno.
O superfungo também é capaz de infectar o sangue, levando a casos agressivos e muitas vezes letais. Dos 18 casos identificados até agora no Brasil, dois resultaram em morte.
