Quase dez anos após o cinegrafista Santiago Ilídio de Andrade, de 49 anos, ser atingido por um rojão na cabeça durante um protesto no Rio de Janeiro, o Tribunal de Justiça (TJRJ) definiu a data do júri popular dos acusados. O julgamento acontecerá às 13h do dia 12 de dezembro, na sessão plenária do Tribunal do Júri.
Fabio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza respondem por homicídio doloso triplamente qualificado e explosão. O julgamento estava previsto para ocorrer em 2020, mas foi adiado após um pedido da defesa.
Fabio é acusado de entregar o rojão para Caio, que acendeu o artefato e o deixou no chão.
No dia 6 de fevereiro de 2014, o repórter cinematográfico da TV Bandeirantes registrava um protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Rio, quando iniciou um confronto entre manifestantes e policiais.
Com a visão encoberta pela câmera, o cinegrafista não viu o rojão sendo disparado e acabou atingido na cabeça. Na ocasião, ele foi socorrido com um afundamento no crânio e levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde morreu quatro dias depois.
Na virada do ano, uma mulher morreu ao ser atingida por um rojão em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Elisângela Tinem Gonçalves, de 38 anos, comemorava o réveillon com a família quando o acidente aconteceu. A tragédia foi registrada em vídeo.
Segundo um primo de Elisângela, assim que chegaram no local, todos se fixaram em um ponto da faixa de areia, mas decidiram mudar de lugar após perceberem que várias pessoas estavam soltando fogos de artifício nas proximidades. Pouco tempo após escolherem um novo local, ela foi atingida pelo rojão.
Nas imagens, é possível ver quando um homem acende o artefato a alguns metros de distância da família. Em segundos, o rojão faz uma curva, acerta o peito de Elisângela e explode.
Ainda de acordo com o primo, o foguete ficou preso à roupa de Elisângela, mas tudo aconteceu muito rápido e quando ele tentava retirá-lo, o objeto explodiu. Ele também sofreu ferimentos e queimaduras em uma das mãos, peito e em uma das pernas.
