Duas fazendas de João Goulart, ex-presidente do Brasil, vão a leilão a partir desta sexta-feira (28). Juntas, as propriedades estão avaliadas em mais de R$ 250 milhões. Uma delas fica em Itacurubi, na região central do Rio Grande do Sul (RS) e a outra em Itaqui, na fronteira com a Argentina.
Apesar dos valores milionários, a leiloeira responsável afirma que o preço está abaixo do valor de mercado e que a decisão de vender as fazendas de João Goulart partiu da família, ou seja, não se trata de um leilão judicial.
A propriedade de Itaqui é a Fazenda Cinamomo com 2,7 mil hectares. Segundo a leiloeira, 90% da área é própria para a agricultura e é indicada para o cultivo de grãos. O lance inicial é de R$ 173.900.787.
A propriedade em Itacurubi é a Fazenda Presidente João Goulart e tem 2.124 hectares, dos quais 55% são destinados à agricultura e 45% à pecuária. O lance inicial é de R$ 80.716.195.
Os leilões encerram às 15h do dia 11 do próximo mês. Veja imagens das fazendas de João Goulart.
João Goulart, batizado como João Belchior Marques Goulart e conhecido popularmente como Jango, nasceu na cidade gaúcha de São Borja em 1919. Era filho do estancieiro Vicente Goulart, o que ajudou em sua entrada na política, e herdeiro político de Getúlio Vargas, natural da mesma cidade.
Antes de ser presidente entre os anos de 1961 a 1964, ele já havia sido eleito como vice-presidente de Juscelino Kubitschek e de Jânio Quadros, inclusive, teve mais votos do que o próprio JK. Jango também foi Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio do Brasil, deputado federal e Secretário de Estado do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul.
O presidente João Goulart foi deposto pelo Golpe Militar de 1964, liderado pelo alto escalão do Exército.
Após ser derrubado, ele foi obrigado a viver no exílio e passou os primeiros anos junto com sua família no Uruguai. No final de 1973, se mudou para Argentina após um pedido do então presidente Juan Domingo Perón para que ele colaborasse em um plano para expandir as exportações de carne argentina.
Jango morreu em 6 de dezembro de 1976, em sua fazenda La Villa, na cidade argentina de Mercedes, supostamente vítima de um ataque cardíaco. Cerca de 30 mil pessoas compareceram ao funeral apesar da censura imposta à imprensa pelo regime militar.
A causa verdadeira de sua morte nunca foi esclarecida, já que na época ele não foi submetido a uma autópsia. Fortes indícios apontam que Jango foi assassinado por ordem do regime militar.
Segundo levantado, ele foi envenenado por ordem do delegado Sérgio Fleury, do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), após autorização do presidente Ernesto Geisel.
Em 2013, o corpo de João Goulart foi exumado para novos exames, mas a causa da morte foi apontada como inconclusiva, pois o veneno poderia ter se deteriorado depois de tan
