O principal suspeito de matar e enterrar o corpo de Nilza Maria Aparecida Costa Pingoud, de 62, no jardim da casa dela em Barretos, São Paulo, foi preso na quinta-feira (3) em Frutal, Minas Gerais, e confessou o crime. O que chamou atenção, no entanto, foi a forma como Leonardo Silva, de 18 anos, falou sobre o assassinato.
Em tom de deboche, ele afirmou não ter se arrependido, mandou beijos, sorriu e até dançou em frente à delegacia.
“Matei, gente […], por diversão também. Estava [com raiva], por muitas coisas, gente. Minha vida é uma série. […] Eu vou matar e vou me arrepender depois? Então, não adiantava eu matar. Que bandido é esse? Valeu [a pena]”, disse Leonardo na porta da delegacia.
De acordo com a Polícia Civil, Nilza abrigou Leonardo e o deixou morar nos fundos da casa dela por alguns dias depois que ele se apresentou como travesti. Em determinado momento, no entanto, os dois se desentenderam e a vítima pediu que ele fosse embora.
Em depoimento, Leonardo afirmou que matou a vítima como forma de vingança porque havia deixado seu emprego para trabalhar com serviços domésticos na casa de Nilza. Porém, segundo ele, o combinado foi desfeito porque a mulher alegou que ele não tinha compromisso, o que o deixou sem ter onde morar e sem emprego.
No dia do crime, 24 de julho, o assassino confesso pulou o muro da casa da viúva e ficou escondido no quarto dos fundos até amanhecer, quando surpreendeu Nilza e a matou asfixiada com um fio.
Depois do assassinato, ele realizou diversas compras com o dinheiro da aposentada, entre elas, a de uma motocicleta 0 km e o aluguel de um apartamento com pagamento adiantado. As movimentações financeiras foram superiores a R$ 50 mil e a suspeita é que ele tenha aproveitado o celular de Nilza para cometer os crimes financeiros.
Mulher desaparecida estava enterrada no jardim
De acordo com a polícia, um investigador foi até casa de Nilza depois que vizinhos registraram um boletim de ocorrência informando que a residência da vítima estava trancada há dias, que ela não era vista há quase uma semana e não respondia a telefonemas e mensagens desde então.
Ao chegar no imóvel, o policial logo percebeu que a terra do quintal estava revirada e, ao mexer no local, encontrou o corpo da mulher desaparecida enterrado no jardim.
Ainda conforme o relato de vizinhos, um homem desconhecido estava em frente à casa de Nilza há aproximadamente uma semana e, na ocasião, afirmou que era um sobrinho da vítima vindo da cidade de Planura, Minas Gerais.
Os primeiros indícios indicam que ela pode ter sido espancada até a morte.
As circunstâncias e motivação do crime ainda não foram esclarecidas e estão sob investigação. O caso está registrado na Polícia Civil como roubo seguido de morte.
