Dois amigos acusados pelo assassinado de Ariane Bárbara Laureano de Oliveira, ocorrido em 2021, em Goiânia, Goiás, foram condenados pelo crime na terça-feira (29). A jovem de 18 anos foi morta para que uma das envolvidas descobrisse se era psicopata.
Os réus foram condenados por pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver, mas absolvidos do crime de corrupção de menor.
Jeferson Cavalcante Rodrigues deve cumprir 4 anos reclusão e 10 dias multa, enquanto Raissa Nunes Borges foi condenada a 15 anos de reclusão e 10 dias multa. Ambos cumprem pena no presídio Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia. As defesas dos dois afirmaram que irão recorrer à pena.
Em março deste ano, Enzo Jacomini Carneiro Matos, conhecida pelo nome social de Freya, também foi condenada a 15 anos de prisão por homicídio e ocultação de cadáver. Jeferson seria julgado na mesma data, mas pouco tempo antes da sessão sua defesa conseguiu o adiamento com um recurso.
Além de Jeferson, Raíssa e Freya, uma adolescente também foi apreendida, na época, por participação no crime, mas seu processo corre em segredo de Justiça. Ela era namorada de Raíssa.
Assassinato de Ariane Bárbara Laureano de Oliveira
Ariane desapareceu no dia 24 de agosto de 2021, após informar a mãe que iria se encontrar com amigos para lanchar. Uma mensagem de áudio enviada para a genitora foi seu último contato com a família.
AS MENINAS ME CHAMARAM PARA IR COMER, VÃO PAGAR A ‘BROCA’ HOJE E AÍ EU TÔ INDO. ELAS VÃO VIR ME BUSCAR DE CARRO, DAÍ EU VOU. VÃO PAGAR COMIDA, ME BUSCAR DE CARRO E ME DEIXAR EM CASA”, DISSE Ariane na ocasião.
Após ficar sete dias sumida, ela foi encontrada morta em uma área de mata do Setor Jaó, e logo a Polícia Civil chegou nos amigos que teriam armado uma emboscada para a vítima.
De acordo com a investigação, o objetivo do crime era descobrir se Raíssa era psicopata. Para isso, eles resolveram realizar um ‘teste de psicopatia’, no qual ela teria que matar alguém para avaliar sua reação, ou seja, se sentiria remorso ou não.
Ariane foi escolhida pelos amigos porque era magra e pequena, o que tornaria o assassinato mais fácil caso reagisse. O grupo teria conhecido a vítima em uma pista de skate.
Segundo a acusação, Freya, Jeferson e Raíssa planejaram os detalhes do crime um dia antes do assassinato e seguiram uma espécie de ritual. Eles decidiram usar o carro de Jeferson e escolheram como trilha sonora uma música que falava sobre homicídio.
O sinal para que a vítima fosse morta partiu de Jeferson, que dirigia o carro. Ele estalou os dedos e então Ariane foi atacada por Raíssa. Durante o julgamento, ele contou que Raíssa tentou enforcar a vítima, mas não teve força e então Ariane, que chegou a pensar que se tratava de uma brincadeira, deu risada.
“Passaram uns minutos, Raissa tentou e não conseguiu de novo. Nisso, a Freya pulou pro banco de trás e deu um mata-leão na Ariane e a Raíssa deu a facada, com incentivo de Sarah e Freya”, afirmou o réu durante o júri.
Na sequência, os quatro abandonaram o corpo da jovem no local onde ele foi encontrado.
