O assassino que matou quatro crianças e deixou cinco feridas durante o ataque a creche em Blumenau, Santa Catarina, teve cocaína e álcool detectados em seus exames de sangue. A Polícia Civil, no entanto, não confirmou a quantidade e nem se ele usou as substâncias no dia do crime.
A informação foi divulgada, na segunda-feira (17), durante uma coletiva de imprensa sobre a conclusão do inquérito, que agora segue para o Ministério Público. Segundo o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC), Ronnie Reis Esteves, o criminoso se tornou usuário de cocaína há três anos e passou a ter alucinações devido à droga.
A investigação apontou, por exemplo, que antes do uso da droga, ele mantinha um relacionamento muito próximo com o padrasto, mas que após começar a usar cocaína chegou a esfaquear o homem.
“Ele passa a usar cocaína e o seu comportamento começa a mudar”, disse o delegado enquanto explicava que a mãe começou a perceber que o filho estava ouvindo barulhos que não existiam e apresentava mania de perseguição, por exemplo.
Ainda conforme Esteves, o assassino declarou que queria demonstrar coragem com o ataque à creche de Blumenau, afirmou que não se arrependeu do crime e disse ainda que, se pudesse, faria novamente.
Sobre ter escolhido crianças como vítimas, o criminoso declarou que a preferência foi porque elas eram alvos fáceis.
“Ele disse que as crianças eram mais fáceis porque as crianças correm devagar e ele teria condições, caso isso acontecesse, de alcançá-las. Ele narra, inclusive, uma situação em que uma das crianças corre dele, ri para ele, achando que era uma brincadeira, e ele vai e acaba atingindo essa criança fatalmente”, disse o delegado.
Ele ainda completou:
“É uma pessoa que não tem condição alguma de viver em sociedade. E nenhuma punição vai reparar o que ele fez”.
No entanto, o delegado-geral da Polícia Civil catarinense, Ulisses Gabriel, afirmou que as “tendências esquizofrênicas do agressor” não irão deixar o assassino impune. “Independentemente de o cidadão ter um problema psicológico, isso não enseja qualquer impunidade. Pelo contrário, ele será punido severamente pelos crimes que praticou”, disse.
O delegado Rodrigo Raitez, também da DIC, explicou que o criminoso disse ter cogitado o ataque em outras duas escolas de Blumenau no dia do crime, mas desistiu porque os muros eram muito altos.
Veja a coletiva de imprensa na íntegra:
O ataque à creche de Blumenau ocorreu no dia 5 de abril. As crianças foram surpreendidas pelo assassino quanto brincavam no parquinho da escola.
As vítimas fatais são três meninos e uma menina. Elas foram identificadas como:
- Bernardo Cunha Machado, de 5 anos
- Bernardo Pabst da Cunha, de 4 anos
- Larissa Maia Toldo, de 7 anos
- Enzo Marchesin Barbosa, de 4 anos
