O pai do adolescente autor do ataque na Escola Estadual Sapopemba, em São Paulo (SP), que deixou a estudante Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos morta, foi indiciado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (26).
O homem, que não teve a identidade divulgada, era proprietário do revólver usado pelo filho de 16 anos para atirar nos colegas. Ele irá responder por posse irregular de arma de fogo e omissão de cautela, que é quando o responsável pela arma não toma o cuidado o suficiente para impedir que menores de idade tenham acesso a ela.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP/SP), afirmou que o procedimento será direcionado à Justiça e que outras ações ainda estão em andamento para finalizar o inquérito.
Em entrevista ao ‘Canal Uo’l, o pai do atirador explicou que adquiriu a arma de 1994 porque trabalhava em uma profissão considerada de risco, mas que não se habituou a andar armado, guardou o revólver calibre 38 e o esqueceu.
Ele admitiu que não recadastrou a arma com o Estatuto do Desarmamento de 2003 e que, apesar de ter pensado várias vezes em se desfazer do revólver, nunca tomou as providências necessárias.
Ainda conforme o relato, o menino e o irmão mais novo vivem com a mãe, de quem ele é separado, no final de semana antes do crime foram para a casa do pai.
Os dois ficaram sozinhos apenas entre às 22h de sábado e às 5h de domingo (22), quando ele saiu para trabalhar como entregador, momento que o adolescente vasculhou até encontrar a arma escondida no baú da cama.
Suspeita-se que o autor do ataque na escola de SP não tenha agido sozinho. Relatos indicam sua participação em grupos online, levantando questões sobre possíveis cúmplices. Seu celular foi confiscado e a Polícia Civil buscou apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública para investigações cibernéticas.
As investigações continuam no 69° Distrito Policial (Teotônio Vilela).
Ataque em escola de SP
O ataque na Escola Estadual Sapopemba (SP) ocorreu no início da manhã de segunda-feira (23), por volta das 7h20. O adolescente entrou no local armado e atirou contra quatro meninas, uma morreu, duas ficaram feridas e a quarta escapou porque a arma falhou.
Giovanna foi baleada na cabeça, ela chegou a ser socorrida com vida e levada para o pronto-socorro do Hospital Sapopemba, mas não resistiu ao ferimento.
De acordo com o Governo de São Paulo, as outras duas vítimas têm 15 anos e estudavam na mesma sala que o agressor, no 1º ano do ensino médio. Uma delas foi atingida por um disparo de arma de fogo na clavícula e a outra no tórax. Elas não correm risco de morte.
Vizinhos da instituição de ensino relataram que ouviram os gritos de desespero dos estudantes no momento do ataque.
Ao jornal Metrópoles, alguns alunos contaram que o jovem estudava na instituição de ensino e sofria bullying constante por ser gay, além de ter sido agredido várias vezes. Uma vizinha do menino confirmou as informações e declarou que existem vídeos na internet nos quais ele aparece apanhando.
