Duas brasileiras estão presas na Alemanha por serem acusadas de tráfico de drogas após terem as etiquetas das malas trocadas no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo (SP).
As bagagens com os nomes das passageiras levavam 40 quilos de cocaína, e foram apreendidas em Frankfurt assim que pousaram no território europeu para uma viagem de férias.
Brasileiras presas por tráfico tiveram etiquetas das malas trocadas por funcionários do aeroporto
A empresária Katyna Baía e a veterinária Jeanne Paolini estão presas no país há um mês, e a polícia já prendeu funcionários do Aeroporto de Guarulhos suspeitos de envolvimento no esquema de tráfico internacional.
As jovens despacharam as malas no dia 4 de março, e na área restrita do aeroporto um funcionário responsável por transportar as bagagens foi flagrado trocando as etiquetas de identificação das malas de Katyna e Jeanne.
Ao pousarem em Frankfurt, as brasileiras foram abordadas pela polícia alemã, que informou que suas respectivas bagagens haviam sido apreendidas com 40 quilos de cocaína.
Na ocasião, as jovens tentaram explicar que não eram donas das malas, e que as bagagens que despacharam tinham uma aparência completamente diferente.
Apesar do esforço de esclarecer o caso, a empresária e a veterinária foram presas em flagrante por tráfico internacional de drogas.
Luna Provázio Lara de Almeida, advogada das brasileiras, explicou que as vítimas nem entenderam porque estavam sendo abordadas pela polícia quando tudo aconteceu.
“Elas foram abordadas pela polícia alemã sem entender muito bem o que estava acontecendo. Elas só falam inglês e, quando eles começaram a falar que provavelmente elas estariam presas por questão de cocaína, elas não entenderam muito bem”.
Prisão dos suspeitos
Pelo menos seis suspeitos do crime foram presos pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (4). Todos os envolvidos trabalhavam em empresas prestadoras de serviços dentro do aeroporto.
“A gente está trabalhando de uma maneira muito rápida, muito célere, para que a gente possa demonstrar que essas duas goianas não tem envolvimento algum com o tráfico de drogas. Isso já está tudo demonstrado na nossa investigação”, explicou o delegado regional Rodrigo Teixeira, da Polícia Judiciária de Goiás.
Vídeos que mostram a quadrilha em ação trocando as etiquetas das malas das passageiras já foram encaminhados para as autoridades alemãs.
Além das jovens, mais pessoas teriam também sido vítimas do esquema de tráfico internacional de drogas, mas nenhuma delas chegou a ser presa em flagrante.
Ainda segundo Rodrigo Teixeira, as mulheres não tinham perfil de ‘mulas’.
“Inocentes não podem ficar presos, e ao que tudo indica elas são inocentes. O perfil dessas passageiras não se assemelha aos de mula. Elas compraram a passagem com muita antecedência, tinham seguro de viagem, não era o perfil de quem pratica esse tipo de delito”, explicou.
No momento, Giordano Souza, chefe do Gabinete de Assuntos Internacionais do Governo de Goiás, disse em entrevista ao UOL que uma audiência de custódia deve ser realizada ainda nesta semana.
“É um processo criminal na Alemanha, e nós não temos como influenciar em nada nessa relação. Fica nas mãos da Promotoria de Justiça lá.
O que nos resta é que as provas enviadas e que o resultado do inquérito que levou à prisão desses 6 integrantes da quadrilha em Guarulhos sirvam para que amanhã, durante a audiência de custódia, elas sejam colocadas em liberdade”.
