Um brasileiro que faz parte do exército de Israel há 14 anos, e nos últimos atuava com aconselhamento jurídico das Forças de Defesa de Israel, foi convocado para fazer parte dos representantes que informam as famílias sobre as mortes de parentes.
O major do exército israelense, que se identificou apenas como Rafael, concedeu uma entrevista exclusiva para a BBC News Brasil. Na conversa, ele explicou que desde o dia 13 de outubro tem visitado uma média de três famílias por dia e que está abalado com o trabalho.
“Quando bato na porta dessas famílias, me sinto como um anjo da morte. […] É difícil de dormir e de comer”, afirmou à BBC News Brasil.
É de praxe que um oficial do Exército vá até a casa dos familiares de israelenses mortos em operações militares ou em ataques para comunicar oficialmente o falecimento.
O que ocorre é que a demanda desse tipo de atividade aumentou muito após o ataque do Hamas, em 7 de outubro, e, por isso, oficiais que não participam desse tipo de trabalho acabaram convocados para ajudar.
Ainda na entrevista, ele contou que em um dos casos precisou ir até a casa dos pais de uma mulher de 30 anos que foi assassinada dentro da sua própria residência e que o marido está desaparecido.
O brasileiro responsável por comunicar mortes de familiares em Israel explicou que os filhos do casal, bebês com menos de um ano, foram encontrados vivos no bunker da família e ele precisava avisar os parentes sobre a situação.
Leia a matéria na íntegra.
Nesta terça-feira (17), representantes do exército israelense foram até a casa de Celeste Fishbein, de 18 anos, para informar que ela foi encontrada morta. A jovem era filha e neta de brasileiros.
De acordo com o tio da adolescente, Mario Fishbein, os oficiais confirmaram o falecimento, mas não informaram detalhes como, por exemplo, onde e como o corpo foi localizado.
Celeste Fishbein estava desaparecida desde o dia 7 de outubro, quando os terroristas atacaram Israel. Até segunda-feira (16), a família ainda tinha esperança de que ela estivesse viva.
