Uma casa ligada a Elize Matsunaga em Sorocaba, no interior de São Paulo, foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Civil. Ela é investigada por apresentar um atestado de antecedentes criminais falso, em 2022, para poder trabalhar numa empresa de construção civil. No imóvel, a polícia apreendeu um notebook.
Na manhã desta segunda-feira (27), Elize, que vive em Franca, na mesma região do estado, foi levada em companhia de seu advogado para uma delegacia em Sorocaba. Ela teve seu celular apreendido e foi liberada algumas horas depois.
No local, ela e o defensor negaram o crime. Ao site R7, da Record, Luciano Santoro afirmou que sua cliente não teria motivos para falsificar o atestado porque “seu processo não transitou em julgado e Elize poderia ter a certidão de antecedentes sem apontamentos”.
O nome de Elize Matsunaga voltou para os noticiários nos últimos dias depois que o jornalista Ullisses Campbell, autor da biografia ‘Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido’, divultou que ela estava trabalhando como motorista de aplicativo em Franca.
Enquanto os app’s Uber e 99 negaram que ela esteja cadastrada em suas plataformas, o aplicativo Maxim confirmou que ela está trabalhando com eles.
“Por acreditarmos na ressocialização do indivíduo, bem como pelo direito ao trabalho ser um direito previsto em nossa Constituição Federal, observamos outros importantes requisitos ao admitir um motorista parceiro na plataforma”, disse a Maxim, em nota.
A empresa ainda destacou que Elize Matsunaga é bem avaliada pelos passageiros e que não existe nenhuma reclamação contra ela.
“Isso acolhe nossa política de reinserção social do apenado, um direito de cada cidadão. Nesse sentido, Elize estar em livramento condicional ou eventual cumprimento de pena em regime aberto não deve ser um impeditivo de que a mesma possa trabalhar”, completou a Maxim.
Segundo Campbel, para trabalhar como motorista, Elize Matsunaga usa o nome de solteira ‘Elize Araújo Giacomini’, máscara facial e óculos escuros com o objetivo de não ser reconhecida. Sua nota como condutora no aplicativo de viagens é 4.80.
Ainda conforme o jornalista, muitos passageiros têm mandado prints de suas corridas para ele e afirmado que apoiam a ressocialização da ex-presidiária.
Além de trabalhar como motorista, Elize também montou um pequeno ateliê de costura, onde confecciona roupas para pets.
Elize Matsunaga
Elize Matsunaga foi condenada, por júri popular, por matar e esquartejar seu marido, um dos presidentes da Yoki Marcos Matsunaga, em 2012. Sua pena foi reduzida para 16 anos de prisão por confessar o crime. Ela ficou presa por 10 anos no famoso presídio feminino de Tremembé, em São Paulo, e agora cumpre o resto da pena em liberdade.
Marcos foi morto com um disparo de arma de fogo na cabeça e teve o corpo cortado em sete partes com uma faca de cozinha com lâmina de 30 centímetros. Os pedaços foram colocados em sacos de lixo, divididos em malas de viagens e, na sequência, jogados por Elize em lugares diferentes da Região Metropolitana de São Paulo.
Atualmente, a filha de Elize Matsunaga e Marcos Matsunaga tem 12 anos e vive com os avós paternos. Ela é proibida de se aproximar da adolescente e os pais da Marcos lutam na Justiça para retirar o sobrenome da mãe do nome da menina.
Em 2021, Elize colaborou com o documentário da Netflix “Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime”. Na produção, ela deu sua versão sobre sua vida com o marido, contou que era abusada psicologicamente por ele e ameaçada de nunca mais poder ver a filha.
Na época do crime, Marcos estava traindo ela com uma garota de programa, assim como havia feito com sua esposa anterior quando Elize trabalhava como acompanhante de luxo.
No documentário, Elize Matsunaga ressaltou que só resolveu falar com a produção para tentar contar seu lado da história e que tem esperanças de um dia se aproximar da filha e explicar como tudo aconteceu.
