O suspeito de assassinar a adolescente Natally Oliveira, de 14 anos, encontrada morta em Nepomuceno, no Sul de Minas Gerais, após desaparecer em Três Pontas, na mesma região do estado, foi preso antes de carbonizar o corpo da vítima. A informação foi dada pelas polícias Civil e Militar em coletiva de imprensa.
De acordo com as polícias, Matheus Camilo Marcos, de 25 anos, cunhado da mãe da vítima, já era considerado o principal suspeito pelo crime, mas sua detenção precisou ser adiantada para a sexta-feira (19) após o setor de inteligência da corporação descobrir que ele pretendia colocar fogo no cadáver da sobrinha.
“Na data de hoje pela manhã nós recebemos uma informação muito precisa que dava conta que o autor pretendia ocultar ainda mais o cadáver que ele já tinha começado a ocultar”, explicou o capitão da Polícia Militar, Julio Cesar Gomes Soares.
“Como foi uma informação muito pontual, a gente não teve outra coisa a se fazer senão a comparecer no local que foi indicado, e fazer a abordagem e buscar a prisão do autor”, completou o capitão.
Após ser preso e confrontado com informações levantadas durante a investigação, Matheus acabou confessando o assassinato de Natally e indicando onde o corpo poderia ser encontrado. Ela foi localizada em estado avançado de decomposição ainda na sexta-feira (19).
Caso Natally
Natally desapareceu no dia 11 de agosto por volta das 20h da noite. Na ocasião, a mãe dela foi ao supermercado e deixou a filha com duas primas. Conforme a mulher, a adolescente saiu de casa dizendo que iria na casa da avó materna, mas não chegou lá.
Enquanto o caso Natally era investigado, testemunhas informaram à polícia que viram a adolescente entrando em um carro preto, mesma cor do carro de Matheus, na noite em que sumiu.
“Foi visto que essa menina teria embarcado de maneira espontânea em um veículo preto e as investigações, não afastando nenhuma linha, mas começam a pender para esse lado”, disse o delegado Gustavo Gomes, da Polícia Civil.
Além disso, segundo a polícia, por várias vezes o tio da adolescente apresentou informações desencontradas e até mesmo atrapalhou a investigação ao simular que a sobrinha havia estado em um cafezal.
Outra situação que chamou atenção foi que depois do crime, Matheus esteve em uma oficina mecânica e levantou suspeitas dos presentes ao fazer perguntas sobre corpos desaparecidos.
“Ele perguntou: ‘se a gente matar uma pessoa e enterrar a mais ou menos meio metro, cachorro acha?’ Respondi que acha. Tinha um pessoal aqui fora e também disse que achava. Ai ele perguntou: ‘e se feder?’. Dissemos que era pior ainda”, contou o mecânico Wanderley da Silva.
“Ai ele perguntou sobre a pessoa ter morrido na sexta-feira, se já haveria apodrecido. Respondi que ainda não. Foi aí que todo mundo que estava ali fora [da oficina] desconfiou”, falou o mecânico Wanderley da Silva.
A morte
No dia do crime, Matheus deixou a esposa e o filho em um supermercado, e retornou para casa para pegar uma blusa. Foi nesse mesmo período de tempo que um vizinho viu Natally embarcar em um carro no bairro Jardim das Esmeraldas, em Três Pontas.
Segundo a polícia, ele levou a menina para a fazenda onde trabalhava em Nepomuceno. Matheus afirmou que manteve relação sexual com a vítima e depois a matou com golpes de madeira na cabeça. Os responsáveis pelo caso Natally aguardam o resultado de exames que irão indicar se a adolescente foi estuprada.
Ela foi encontrada enterrada em uma cova rasa a cerca de um quilômetros da propriedade.
