A cigana de 14 anos morta em Guaratinga, no extremo sul da Bahia, ligou para o pai horas antes de ser assassinada e pediu para conversar com ele. Segundo Hiago Alves, ele não pôde atender ao pedido de Hyara Flor Santos Alves porque estava em viagem. O principal suspeito pelo crime é marido da vítima, um adolescente também de 14 anos.
O crime ocorreu na última quinta-feira (6). A jovem foi baleada no rosto dentro da casa em que vivia com o esposo, com quem estava casada há pouco mais de dois meses, anexa ao imóvel dos sogros. Ela chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu.
Em entrevista, Hiago contou que quando recebeu a ligação da filha voltava de viagem a Itabela, município vizinho de Guaratinga. Na ocasião, a menina insistiu para que o pai fosse visitá-la com o objetivo de que os dois pudessem conversar, mas não houve tempo.
“Quando eu cheguei na minha casa, me ligaram: ‘Vem cá, que mataram a Hyara'”, contou o pai da cigana morta.
A advogada da família de Hyara, Janaína Panhossi, também falou sobre o assunto em entrevista à Salvador FM:
“Ela ligou na noite anterior para o pai, por volta de 20h, e disse que precisava muito falar com ele. Eles tinham uma relação muito próxima, mas ele acabou não indo. Na cultura deles, quando a filha casa, eles se metem o mínimo possível na vida da filha. Ele se arrepende muito, repete muito isso, diz que se tivesse dado importância, teria evitado”.
No hospital, o marido da cigana Hyara e seus familiares afirmaram que ela havia sido ferida com um tiro acidental, mas os médicos desconfiaram da versão e chamaram as autoridades.
A família do adolescente casado com Hyara fugiu após a morte da jovem. Todos são procurados pela polícia para prestarem esclarecimentos. O caso é investigado como feminicídio.
Família de cigana morta diz ter sido alvo de vingança
Os familiares da cigana Hyara afirmam que a jovem foi morta em um crime de vingança cometido pela família do marido da jovem contra os familiares da vítima. A motivação seria um caso extraconjugal entre um tio da adolescente, Ricardo Alves, com a mãe do garoto.
“Nós do lado de cá estávamos de coração aberto; eles lá, não: só queriam a vingança mesmo, porque meu irmão tinha um caso com a mulher do pai dele [do genro]”, disse Hiago em entrevista ao jornal Correio.
Para Hiago, ele e a filha foram manipulados e induzidos a aceitar o casamento entre os adolescentes como parte do plano de vingança. O pedido foi feito pelo rapaz há um ano.
Em depoimento, o tio de Hyara confirmou que mantinha um relacionamento com a sogra da vítima.
“O tio de Hyara confirmou que tinha caso extraconjugal com a sogra de Hyara e que isso talvez tenha motivado o pai do Amadeus a induzir o filho a atirar na esposa. Essa sogra estava obcecada pelo tio de Hyara. Dava presentes caros. Esse é o ponto que pode ser o motivo”, contou ainda a advogada.
O pai também diz que a menina vinha sofrendo violência doméstica desde que foi morar com a família do marido, logo depois cerimônia religiosa do matrimônio, mas que era impedida de relatar o que estava acontecendo.
Hyara tinha mais de 18 mil seguidores no TikTok e costumava compartilhar memes e vídeos gravados ao lado do pai. Na maioria das vezes, ela aparecia vestindo trajes ciganos.
