O ex-deputado federal David Miranda, de 37 anos, morreu na manhã desta terça-feira (9) no Rio de Janeiro. Ele completaria 38 anos na quarta-feira (10). O falecimento foi confirmado por seu marido, o jornalista Glenn Greenwald.
“É com a mais profunda tristeza que eu comunico a morte do meu marido, David Miranda. Ele iria fazer 38 amanhã. Sua morte, no início desta manhã, ocorreu após uma batalha de 9 meses na UTI. Ele morreu em paz, cercado por nossos filhos, pela família e por amigos”, escreveu Glenn no Twitter.
O casal estava junto há 18 anos e tem três filhos.
It is with the most profound sadness that I announce the passing away of my husband, @DavidMirandaRio. He would have turned 38 tomorrow.
His death, early this morning, came after a 9-month battle in ICU. He died in full peace, surrounded by our children and family and friends. pic.twitter.com/wtRvGyJyGl
— Glenn Greenwald (@ggreenwald) May 9, 2023
Glenn ainda falou sobre a trajetória de vida de David. “A vida de David foi extraordinária em todos os aspectos. Sua mãe morreu quando ele tinha 5 anos, deixando-o órfão em Jacarezinho. Mas uma vizinha linda e compassiva, Dona Eliane, acolheu-o apesar de ter 4 filhos de sua própria e profunda pobreza, tornou-se sua mãe, deu-lhe uma chance de vida.”
E ressaltou que o marido foi o primeiro homem gay eleito para a Câmara Municipal do Rio.
De acordo com o jornal ‘O Globo’, os médicos confirmaram que a causa da morte de David Miranda foi uma pancreatite e uma infecção gastrointestinal, que progrediu um quadro de sepse (doença grave desencadeada por uma inflamação que se espalha pelo organismo diante de uma infecção).
O ex-deputado foi internado no dia 6 de agosto de 2022 com fortes dores abdominais, que mais tarde foram diagnosticadas como sintomas de uma infecção gastrointestinal. Deste então não saiu mais do hospital. Posteriormente, seu quadro de saúde se agravou e afetou outros órgãos como o pâncreas.
Em março deste ano, Glenn fez um relato sobre os meses de luta do marido no hospital e contou que David Miranda se mantinha a maior parte do tempo acordado e conseguia conversar “apesar da traqueostomia que teve que fazer”. No entanto, o ex-deputado já dependia de um ventilador para auxiliar sua respiração.
Na publicação, feita em seu site, o jornalista contou que por três vezes foi informado de que o marido estava prester a morrer.
“Desde a primeira semana, houve três ocasiões em que seus médicos me ligaram e nos disseram para nos prepararmos para o pior, que suas chances de sobrevivência nas próximas 48 a 72 horas eram muito baixas, quase impossíveis”, escreveu Glenn.
Ele continuou: “Nem vou me dar ao trabalho de tentar explicar como é ter que dizer a seus filhos, à família e aos melhores amigos de seu marido que é hora de ir para o hospital pelo que provavelmente será a última vez”.
