O ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancellier foi inocentado das acusações de desvio de dinheiro da instituição de ensino. Ele cometeu suicídio em 2017, depois de ser preso injustamente pelo crime.
A conclusão do Tribunal de Contas da União (TCU), enviada à atual reitoria da UFSC na última quinta-feira (6), descartou qualquer irregularidade cometida pelo ex-reitor e comprovou sua inocência.
De acordo com o TCU, a acusação de que Cancellier participava de um esquema de superfaturamento no aluguel de veículos para a realização do programa Universidade Aberta do Brasil (UBA) é improcedente. A ação foi arquivada.
Na segunda-feira (10), o ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que um inquérito será aberto para investigar “possíveis abusos e irregularidades na conduta de agentes públicos federais”.
O reitor da UFSC foi alvo da operação Ouvidos Moucos, como desdobramento da Operação Lava Jato, em 2017. Na época, a Polícia Federal (PF) afirmava que a “quadrilha” teria roubado 80 milhões de reais de verbas públicas.
Cancellier foi preso preventivamente e, segundo contou a familiares, passou por duas revistas íntimas humilhantes na prisão e foi mantido nu diante de outros presos por mais de duas horas. Ele ainda relatou que teve os pés acorrentados, foi algemado e que foi obrigado a confessar o crime em um interrogatório que durou seis horas.
Após passar 36h na cadeia e ser solto para responder às acusações em liberdade, Cancellier foi impedido de retornar à universidade e se mostrou bastante abatido. Ele acabou tirando a própria vida 17 dias depois ao pular do sétimo andar de um shopping center em Florianópolis, capital de Santa Catarina.
No bolso do ex-reitor da UFSC foi encontrada uma longa carta escrita poucos dias antes de sua morte. Nas linhas, ele falava sobre a humilhação causada pela denúncia injusta e se dizia “perplexo e amedrontado” pelo fato de como a situação foi conduzida.
O reitor e outras cinco pessoas de sua equipe foram presas e junto com outros 23 funcionários foram indiciados por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato. A investigação foi conduzida pela delegada federal Erika Marena. A prisão de Cancellier foi autorizada pela juíza Janaina Cassol.
Para muitos juristas, houve tentativa de criminalizar o então reitor mesmo com a ausência de provas.
