Um homem enviou uma mensagem de WhatsApp para o sogro informando que havia assassinado a namorada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O corpo da fonoaudióloga Aline Candalaft, de 31 anos, foi encontrado no domingo (20). Lucas Bonfim Lhamas, de 34, está foragido.
De acordo com a polícia, os pais de Aline tentavam contato com ela desde a quinta-feira (17). No entanto, Lucas informava que o celular da namorada havia estragado e sempre dava desculpas para o fato de ela não poder usar o aparelho do companheiro para se comunicar com os familiares.
Até que, no início da manhã de domingo, quando mais uma vez o pai da fonoaudióloga pediu para falar com a filha, o namorado da vítima enviou uma mensagem para o sogro e confessou que ela estava morta fazia tempo.
“Infelizmente, a Aline está morta. Ela já está morta faz bastante tempo. Sinto muito, eu a amava, mas não teve jeito”, dizia um trecho do aviso.
Na mensagem, Lucas afirmou que Aline não sentiu dor e foi assassinada com um único golpe na artéria. Ele ainda detalhou os últimos momentos de Aline com vida e contou que obrigou a namorada a admitir supostos erros e a rezar antes de ser morta.
A Polícia Militar (PM) foi acionada por volta das 8h30 e acompanhou os familiares até a casa da vítima. No local, a porta foi arrombada e eles se depararam com uma cena macabra de homicídio: Aline estava na cama, com um terço enrolado em uma das mãos e segurando papéis com trechos bíblicos escritos.
Ele fugiu após enviar as mensagens e é procurado pela polícia. O casal estava junto há um ano e dois meses.
Lucas Bonfim Lhamas foi diagnosticado com esquizofrenia aos 9 anos de idade, quando começou a fazer tratamento médico para a doença. Em 15 de fevereiro de 2016, Lucas assassinou o próprio pai Lourival Garcia, de 50 anos, em Santo André.
Na época, ele enviou mensagens para a mãe informando o que havia feito e ela ligou para a polícia. Quando os agentes chegaram no local encontraram o homem morto com um golpe de faca em cima de uma cama e com duas bíblias ao lado do corpo.
Antes disso, ele já havia passado por clínicas de reabilitação devido ao uso de drogas e, conforme sua mãe, sofria surtos a cada seis meses. A mulher ainda afirmou que o filho havia deixado de tomar os remédios prescritos pelo psiquiatra antes de matar o pai.
Considerado inimputável, Lucas não foi preso pelo assassinato do pai, mas foi internado para tratamento psiquiátrico em regime fechado no Hospital de Custódia, em Franco da Rocha.
Em janeiro de 2018, um laudo o diagnosticou com esquizofrenia paranoide e “incapacidade parcial para os atos da vida civil”. Em 2019, um laudo afirmou que ele deveria permanecer em regime fechado e em 2021, a perícia médica recomendou que ele saísse da internação porque não apresentava periculosidade.
O caso foi registrado como feminicídio.
