Os três jovens mortos em Sooretama, no Norte do Espírito Santo, foram brutalmente torturados e obrigados a cavarem as próprias covas. Kauã Loureiro Corrêa, de 15 anos, Carlos Henrique Nascimento, de 15, e Wellington Gomes Simon, de 14, foram sequestrados no dia 18 de agosto.
Os corpos dos três amigos de infância, que viviam na mesma rua, foram encontrados na tarde da última sexta-feira (1º), em uma área de plantação de eucalipto do município. depois que um suspeito foi preso. Conforme o delegado Fabricio Lucindo, as vítimas foram levadas vivas para o local, torturadas e assassinadas com disparos de arma de fogo.
Até o momento a polícia identificou o envolvimento de pelo menos quatro pessoas no crime:
- um motorista de aplicativo, de 43 anos, que conduziu o carro usado para transportar as vítimas (preso);
- Marcos Vinicius Coutinho de Carvalho, conhecido como “Caíque”, de 20 anos, (preso). Apontado como chefe do tráfico de drogas do bairro Areal e mandante do crime;
- um adolescente, de 17 anos, (apreendido);
- Adailton de Oliveira Santos, conhecido como “Piranha”, de 32 anos, (foragido).
Conforme o secretário de Segurança Pública Alexandre Ramalho, que chegou a comandar as buscas pelos adolescentes em Sooretama, Marcos Vinicius resistiu à prisão e chegou a balear uma criança de 11 anos no braço quando trocava tiros com a polícia.
Ramalho contou que a primeira pista do que poderia ter ocorrido com meninos, que desapareceram após saírem da casa para irem até o bairro vizinho, foi a identificação do carro do motorista do app. A partir daí, o crime começou a ser desvendado.
De acordo com o secretário, apesar de não terem nenhum envolvimento com o tráfico de drogas, os jovens mortos em Sooretama foram vítimas da guerra entre traficantes do bairro Sayonara, onde viviam, e do bairro Areal, onde foram sequestrados.
“Esses jovens vão, por curiosidade, segundo a família, até o bairro Areal, para verificar uma situação que eles ouviram dizer que uma pessoa tinha sido baleado. Lá, aquela pessoa que morreu seria da Baixada (onde os adolescentes moravam)”, disse Ramalho.
“Então, quando eles souberam que aqueles três jovens pertenciam à Baixada, eles fizeram a apreensão deles e uma série de crueldade, que não vamos relatar em respeito à família”, completou.
Jovens mortos em Sooretama
De acordo com os familiares dos jovens desaparecidos em Sooretama, os três amigos vivem na mesma rua e saíram de casa juntos, na sexta-feira (18), depois de dois tiroteios entre traficantes.
Em entrevista, o irmão de Wellington contou que os adolescentes decidiram ir até o bairro Areal, vizinho ao bairro Sayonara, por curiosidade para ver o que havia ocorrido e nunca mais foram vistos.
“Teve uma troca de tiros na rua de casa. Até então, não acertou ninguém. Depois recebemos a notícia que teve outra troca de tiros [no bairro Areal]. Falei com minha mãe que ia passar lá para ver o que tinha acontecido. Meu irmão e os dois meninos foram também e depois eles voltaram juntos”, contou o rapaz à TV Vitória/Record TV.
Ainda na noite de sexta-feira, a mãe de Wellington ligou para o celular do garoto e alguém atendeu a ligação, mas não falou nada.
A Polícia Civil confirmou que nenhum dos meninos tinha envolvimento com tráfico de drogas ou era usuário de algum tipo de substância ilícita.
