O major do Corpo de Bombeiros Wagner Bonin, de 42 anos, foi sequestrado e morto por traficantes em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, na tarde desta quarta-feira (16). O oficial morava na região.
O crime ocorreu como forma de vingança porque a vítima fotografou barricadas feitas pelo tráfico no interior da comunidade São Mateus.
De acordo com a investigação, Bonin estava inconformado com o avanço do tráfico de drogas nos arredores e passou a fotografar as barreiras e enviar as imagens para a Polícia Civil. No entanto, os criminosos descobriram que estavam sendo denunciados.
O sumiço do major foi percebido primeiro por sua esposa que, ao ficar preocupada com a demora do marido para chegar em casa, entrou em contato com o comandante do grupamento onde ele era lotado.
A mulher então conseguiu acessar o aplicativo de mensagens usado pelo oficial, de forma remota, e descobriu que pouco tempo antes de desaparecer, ele havia enviado fotografias de uma barricada e de pessoas que estavam no local para um número não identificado.
Ela ainda observou que às 14h49, o major havia conversado com um colega do Corpo de Bombeiros e informado ter “visto um fuzil”. Foi sua última mensagem.
Por volta das 19h, a Polícia Militar foi informada de que um carro com as mesmas características do veículo usado pelo major estava abandonado na região do Parque Columbia, na Pavuna, Zona Norte do Rio.
Assim que os policiais chegaram no carro encontraram o corpo do major do Corpo de Bombeiros carbonizado no banco de trás. A identificação de Bonin precisou ser feita através das digitais e só foi confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML) nesta quinta-feira (17).
Major do Corpo de Bombeiros atuou em Brumadinho
Em 2019, o major do Corpo de Bombeiros assassinado por traficantes trabalhou no resgate das vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Na época, Bonin ainda era capitão.
Junto com inúmeros colegas de corporação, o oficial trabalhou por dias salvando vidas e recuperando os corpos das vítimas fatais que ficaram soterradas entre rejeitos da barragem e entulhos.
Em fevereiro do mesmo ano, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro entregou a Bonin a medalha do mérito, força e coragem pela atuação na tragédia que deixou mais de 270 mortos.
O secretário estadual de Defesa Civil e comandante dos bombeiros, Leandro Monteiro, usou as redes sociais para lamentar a morte do major.
“Infelizmente marginais covardes acabaram de sequestrar o major Wagner Bonin em São João de Meriti. Confio na @PCERJ e na @PMERJ. Não mediremos esforços para prender esses assassinos. Nem um passo daremos atrás”, escreveu.
