Desde que a notícia de que Pedrinho Matador, de 68 anos, foi assassinado em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, durante a manhã deste domingo (5), muitas pessoas começaram a se perguntar quem era o homem apontado como o maior serial killer brasileiro.
Isso porque a história de Pedro Rodrigues Filho, conhecido como Pedrinho Matador, no mundo do crime começou há muitos anos, quando muitos de nós ainda não havíamos nem nascido. Por outro lado, até os mais velhos, também podem ter esquecido daquele que estampou as capas de muitos jornais nas décadas de 70 e 80.
Mas vamos lá? Quem foi Pedrinho Matador?
Nascido em 19 de outubro de 1954, em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, Pedro Rodrigues Filho veio ao mundo com uma rachadura no crânio, resultado de chutes desferidos pelo seu próprio pai contra a barriga de sua mãe.
Aos nove anos, ele fugiu de casa para viver com seus padrinhos e, algum tempo depois, fugiu novamente, dessa vez para São Paulo. Na cidade grande, ele começou a roubar para sobreviver. Diz-se que com apenas 11 anos de idade, assassinou o traficante Jorge Galvão, seu irmão e seu cunhado no bairro Itaquera.
Aos 14 anos, de volta a Minas Gerais, Pedrinho Matador assassinou o vice-prefeito de Alfenas em frente a prefeitura da cidade. O crime foi cometido com uma espingarda que pertencia ao seu avô e a motivação foi o fato do homem ter demitido o pai do assassino sob a acusação de roubar merenda.
Na sequência, ele matou também um vigia, que acredita ser o verdadeiro ladrão das merendas.
Após cometer os crimes em Alfenas, ele fugiu para Mogi das Cruzes, onde passou a matar traficantes para roubar bocas de fumo. Foi aí que conheceu a viúva de um deles e foi morar junto com a mulher. Enquanto atuava na região, Pedrinho Matador assassinou muitos rivais e só foi embora quando sua companheira foi morta pela polícia.
Mais tarde, ainda menor de idade e traficando drogas, ele se envolveu com uma mulher chamada Maria Aparecida Olímpia. Ela foi encontrada morta por Pedrinho após algum tempo. Enquanto tentava descobrir quem havia cometido o crime, ele torturou e assassinou várias pessoas até chegar ao nome de um traficante rival.
Com sede de vingança, Pedrinho Matador invadiu uma festa de casamento com a ajuda de quatro amigos e matou o assassino da companheira e outras seis pessoas. Eles ainda deixaram outras 16 vítimas feridas.
Em 1973, aos 18 anos, Pedrinho foi preso após ser condenado a 128 anos de prisão. Acredita-se que dentro da cadeia, ele tenha assassinado cerca de 48 pessoas, entre elas, seu pai, que estava preso por matar sua mãe com 21 golpes de facão.
“Ele deu 21 facadas na minha mãe, então dei 22. O povo diz que comi o coração dele. Não, eu simplesmente cortei, porque era uma vingança, não é? Cortei e joguei fora. Tirei um pedaço, mastiguei e joguei fora”, contou Pedrinho Matador ao jornalista Marcelo Rezende.
Para se ter uma ideia, enquanto estava sendo transferido para o presídio, mesmo algemado, Pedrinho assassinou um homem condenado por estupro que seguia para o mesmo lugar. Ao ser perguntado sobre os seus crimes dentro da prisão, ele costumava dizer que “eram pessoas que não prestavam”.
Além disso, no braço esquerdo, Pedrinho Matador trazia uma tatuagem com a escrita: “Mato por prazer”.
Em 2003, o criminoso quase foi solto porque a lei brasileira proíbe que alguém fique mais de 30 anos na prisão. Mas devido aos crimes cometidos nas penitenciárias por onde passou – que aumentaram sua pena para 400 anos – acabou em liberdade apenas em 2007.
Ainda em 2003, ele concedeu uma entrevista na qual afirmou ter matado mais de 100 pessoas, incluindo os crimes cometidos dentro do sistema prisional.
Em 2011, Pedrinho voltou para a prisão pelos crimes de motim e cárcere privado, cometidos quando ainda estava preso. Na época, ele estava vivendo em Balneário Camboriú, Santa Catarina, onde trabalhava como caseiro.
Em 2018, Pedrinho Matador – com 64 anos e 42 de prisão – foi novamente solto, se declarou convertido ao cristianismo e arrependido dos crimes que cometeu.
