A procuradora Carla Fleury de Souza virou notícia por reclamar do salário de cerca de R$ 37 mil. A declaração foi dada durante uma reunião do Conselho do Ministério Público goiano na segunda-feira (29). (Assista abaixo)
Lotada na 39° Procuradoria de Justiça de Goiás, a procuradora criticou o atual salário da categoria e a falta de um reajuste salarial que julgue adequado, o assunto já havia sido levantado anteriormente.
Em sua fala, a procuradora Carla Fleury de Souza explicou que seu salário é usado apenas para suas vaidades como joias e sapatos supostamente caros e deu a entender que se tivesse que ajudar com as contas da casa, o dinheiro seria insuficiente.
“Graças a Deus meu marido é independente. Eu não mantenho minha casa. O meu dinheiro é só para fazer minhas vaidades. Graças a Deus. Só para os meus brincos, minhas pulseiras, meus sapatos”, começou.
Na sequência, a procuradora disse ter dó dos promotores iniciantes que ganham menos ainda. Vale destacar que no último edital, de 2021, foram ofertadas 39 vagas para o cargo de promotor, com salário de R$ 28 mil.
“Mas uma coisa eu falo. Eu tenho dó dos promotores que estão iniciando aqui a carreira. Porque os promotores que têm filhos na escola, têm que pagar a escola. Porque hoje o custo de vida é muito caro. Desculpe se eu me exaltei. Não sou nenhuma oradora, mas eu falei de coração. E quem fala de coração, fala a verdade”, finalizou.
Veja a manifestação em vídeo:
A procuradora de Justiça Carla Fleury de Souza, do MPGO, disse ter dó dos promotores que estão iniciando a carreira. "Hoje o custo de vida é muito caro", lamentou. O salário de um promotor de Justiça ao ingressar no MPGO é de R$ 30.617,25, sem contar com os benefícios pic.twitter.com/aKHVXOJ69i
— JOTA (@JotaInfo) June 1, 2023
A fala na qual a procuradora Carla Fleury de Souza reclama do salário causou polêmica e virou notícia em todo o país. Principalmente porque, no Brasil, quem ganha cerca de R$ 37 mil está entre os 1% mais ricos da população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, reportados à Folha de São Paulo.
A faixa inicia com a renda mensal média de R$ 17.447 e ganha 32,5 vezes mais do que a metade mais pobre da população.
Em nota, o Ministério Público de Goiás afirmou que a declaração da procuradora Carla Fleury de Souza é “de cunho pessoal, que não representa o pensamento da instituição”.
