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Crianças foram mortas na Ucrânia, dizem ex-comandantes russos

“Você vê que estou segurando um cigarro nesta mão. Segui ordens com esta mão e matei crianças”, disse um dos homens

Por Caroline Berticelli

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Dois ex-comandantes russos admitiram ter matado crianças e civis na Ucrânia em uma entrevista concedida ao Gulag.net, organização e site de direitos humanos anticorrupção e antitortura. Azamat Uldarov e Alexey Savichev eram ex-presidiários e faziam parto do Grupo Wagner durante o conflito. 

Nas entrevistas, publicadas na internet, os dois combatentes contaram sobre suas ações na invasão russa na Ucrânia. Em uma das gravações, Uldarov, que parece estar embriagado, explica que matou uma menina de cinco ou seis anos para obedecer às ordens de seus superiores. 

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“[Foi] uma decisão da administração. Eu não tinha permissão para deixar ninguém sair com vida, porque meu comando era matar qualquer coisa no meu caminho”, afirmou. 

“Quero que a Rússia e outras nações saibam a verdade. Não quero guerra e derramamento de sangue. Você vê que estou segurando um cigarro nesta mão. Segui ordens com esta mão e matei crianças”, completou Uldarov.

O ex-comandante russo Uldarov afirma que os mercenários do Grupo Wagner “receberam o comando para aniquilar todos”, inclusive, crianças e civis em cidades como Soledar e Bakhmut. “Existe um superior acima de todos os comandantes – é Prigozhin, que nos disse para não deixar ninguém sair de lá e aniquilar todo mundo”.

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Já Savichev ressaltou que os combatentes que não seguiram as ordens foram mortos e, por isso, ele se sujeitou a assassinar inocentes. “Você pode me condenar por isso. Eu não vou me opor. É seu direito. Mas eu também queria viver”, disse. 

Anton Gerashchenko, conselheiro oficial e anterior vice-ministro do Ministério da Administração Interna da Ucrânia, compartilhou parte das entrevistas no Twitter. Veja:

Segundo a CNN, não foi possível verificar de forma independente as acusações dos comandantes. No entanto, a rede de notícias ressaltou que os nomes de ambos constam em documentos russos que atestam que os dois foram libertados com perdão presidencial em setembro e agosto de 2022.

Já foi confirmado que o Grupo Wagner, organização paramilitar russa, trabalhou junto com o governo de Putin no recrutamento de presidiários para atuarem na linha de frente da guerra na Ucrânia. Em contrapartida, os condenados recebiam redução de pena ou perdão presidencial pelos seus crimes. 

Em fevereiro deste ano, o oligarca russo Yevgueni Prigozhin, fundador e líder da rede de mercenários, emitiu um comunicado no qual afirmou que o Grupo Wagner havia parado de recrutar detentos das penitenciárias da Rússia. 

Em seu canal do Telegram, Prigozhin confirmou que assistiu parte das entrevistas dos ex-comandantes russos e declarou que está “pronto para ser responsabilizado de acordo com qualquer lei” caso as acusações sejam comprovadas. Do contrário, ele quer os dois respondam por suas afirmações na Rússia. 

“Eles não serão “civis” para nós, e muito menos crianças, a quem nunca tocamos e não tocamos. Isso é uma mentira flagrante. Essas pessoas (que espalham as mentiras) são nossos inimigos e vamos lidar com eles de uma maneira especial”, ameaçou o líder do Grupo Wagner. 

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