A pressão no fundo dos oceanos é um desafio constante para a exploração das profundezas marinhas. Recentemente, um submersível que iria observar os destroços do Titanic implodiu devido à intensa pressão exercida pelas águas, trazendo ainda mais à tona a complexidade das profundezas.
Mas, por que será que a pressão no fundo dos oceanos é tão forte? A resposta está na física.
Pressão no fundo dos oceanos
A Terceira Lei de Newton, conhecida como a lei de ação e reação, estabelece que toda ação gera uma reação de igual intensidade, porém em sentido oposto. Além disso, essa lei explica como podemos viver em equilíbrio na superfície da Terra, equilibrando as forças exercidas pela gravidade e as forças de reação do nosso corpo.
Mas este equilíbrio não é assim em todos os ambientes.
Ao entrarmos no mar, por exemplo, nos deparamos com a pressão hidrostática, resultante da coluna de água acima de nós, somada à pressão atmosférica.
A água, sendo mais densa que o ar, exerce uma pressão maior. A cada 10 metros de profundidade, a pressão aumenta em uma atmosfera.
Dessa maneira, a pressão intensa afeta não apenas os objetos, mas também fenômenos como o empuxo – força que atua sobre objetos que estão parcialmente ou completamente imersos em fluidos – e as pressões laterais.
A Lei de Boyle, por outro lado, ainda estabelece que o volume de um gás é inversamente proporcional à pressão. Ou seja, quando a pressão aumenta, o volume diminui, certo?
No fundo dos oceanos, onde a pressão é a maior terrestre possível, qualquer falha estrutural ou rachadura em um objeto pode resultar em implosão devido à troca de pressão com o ambiente externo.
Em média, a pressão é considerada de 1atm, que é igual a 1325 Pascal que representa 101325 Newton sobre 1 metro ao quadrado.
Relembre! Submarino desaparecido Titan sofreu implosão instantânea
Todos os ocupantes do submarino desaparecido Titan morreram durante uma implosão instantânea, segundo a OceanGate e a Guarda Costeira dos EUA. A empresa confirmou os óbitos através de um comunicado divulgado no dia 22 de junho, horas depois que destroços do veículo foram encontrados próximo aos restos do Titanic.
De acordo com as autoridades americanas, os restos do submersível – entre eles pedaços do casco e da cabine – foram localizados a cerca de 500 metros do navio Titanic, a uma profundidade de aproximadamente 4.000 metros abaixo da superfície.
Em coletiva de imprensa, realizada às 16h desta quarta, a Guarda Costeira dos EUA explicou que foi possível identificar que o submarino implodiu porque a cabine que protegia os passageiros da pressão da água foi perdida.
Ainda na entrevista coletiva, a Guarda Costeira ressaltou:
- que ainda é cedo para dizer em qual momento e por qual motivo a tragédia aconteceu;
- não se sabe se haverá buscas pelos corpos das vítimas, pois o local é muito inóspito;
- a provável “implosão catastrófica” deve ter gerado um som forte;
- os ruídos captados na terça-feira (20) e quarta-feira (21), ao que tudo indica, não tinham ligação com o submarino desaparecido durante a expedição ao Titanic.
A OceanGate emitiu um comunicado, pouco antes do início da coletiva de imprensa, na qual divulgou as mortes dos tripulantes do submarino.
“Acreditamos que, infelizmente, perdemos nosso CEO Stockton Rush, Shahzada Dawood e seu filho Suleman Dawood, Hamish Harding e Paul-Henri Nargeole. Esses homens eram verdadeiros exploradores que compartilhavam um distinto espírito de aventura e uma profunda paixão por explorar e proteger os oceanos do mundo”, diz um trecho.
“Nossos corações estão com essas cinco almas e todos os membros de suas famílias durante esse período trágico. Lamentamos a perda de vidas e a alegria que eles trouxeram para todos que conheciam”, continua a empresa.
Por fim, a OceanGate agradeceu os esforços de todos aqueles que ajudaram nas buscas pelo submarino e pediu que imprensa respeite a privacidade das famílias das vítimas “seja respeitada durante este momento tão doloroso”.
O veículo submersível fez a última comunicação com o navio-base uma hora e 45 minutos após submergir rumo aos destroços do Titanic na manhã do dia 18 de junho.
