O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou que os combatentes do Grupo Wagner assinem juramento de lealdade ao país. A determinação foi dada por meio de um comunicado emitido no final da noite de sexta (25), dois dias após a morte de Yevgeny Prigozhin, fundador e líder do grupo paramilitar de mercenários.
O decreto, publicado no site do Kremlin, tem efeito imediato e obriga qualquer pessoa que realize trabalho em nome dos militares ou apoie o que Moscou chama de “operação militar especial” na Ucrânia a prestar um juramento formal de lealdade à Rússia.
De acordo com especialistas na política russa, a ordem de Putin tem o objetivo de aumentar o controle do Estado sobre esses mercenários e evitar qualquer tipo de motim.
Os combatentes devem prometer “a sua lealdade à Federação Russa, seguir rigorosamente as ordens dos seus comandantes e superiores, e cumprir conscientemente as suas obrigações”, diz um trecho do documento, conforme o Moscow Times.
Até o momento, o Kremlin não confirmou a morte do ex-aliado de Putin sob a alegação de que é necessário aguardar o resultado dos testes de identidade feitos nos cadáveres recolhidos no local da queda do avião.
Além disso, Putin classificou como uma “mentira absoluta” as insinuações ocidentais de que o líder do Grupo Wagner foi morto devido aos recentes atritos com o mandatário.
Yevgeny Prigozhin estava em um avião particular que caiu na região da cidade de Tver, a 350 km de Moscou na última quarta-feira (23). Segundo a Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia, Prigozhin, outros seis passageiros e três tripulantes não resistiram ao acidente aéreo. O órgão ainda afirmou que todos os corpos foram recuperados.
A aeronave em que o proprietário da milícia particular – que é alugada para participar de conflitos armados pelo mundo – estava era um jato executivo fabricado pela Embraer, empresa brasileira de aviação.
A agência Tass, ligada ao governo russo, afirmou que se tratava de um Legacy 600 com capacidade para até 15 passageiros e valor de US$ 14 milhões. Ainda segundo a Tass, uma investigação foi aberta para apurar a “queda do avião da Embraer que ocorreu na região de Tver”.
Vale destacar que há pouco tempo, ele protagonizou um motim contra a cúpula militar da Rússia e contra o próprio Vladimir Putin. O episódio foi classificado como o maior desafio ao presidente em seus 20 anos no poder.
Prigozhin era apontado como amigo particular de Putin e um grande aliado do Kremlin até a traição. O Grupo Wagner, inclusive, foi um instrumento importante na Guerra da Ucrânia antes dos desentendimentos que colocaram um fim à colaboração entre os dois.
