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Síndrome de Down: planos de aula para evitar a exclusão na escola

Por Maria Linhares

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Problema de Educação: O problema de educação do presente projeto são as exclusões praticadas no currículo escolar. Por exclusão entende-se: exclusões de gênero; étnico-raciais; socioculturais e por deficiências. 

 Causas do problema de educação – as exclusões do currículo escolar 

O currículo não é um elemento inocente e neutro na construção e disseminação do conhecimento. Ele é resultado de diversas escolhas, que representam os valores de um grupo social em um determinado momento.

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Não é imutável ou eterno, pois possui história, sendo modificado de acordo com as transformações e os interesses dos grupos sociais que o estabelecem (SCHMIDT, 2003). Como não é possível contemplar no currículo todo o tipo de conhecimento existente, são feitas seleções.

Nesse trabalho, tratamos de alguns temas que consideramos a presença necessária no currículo escolar brasileiro, mas que foram ou correm o risco de serem excluídos. O enfoque, contudo, é nas causas que motivaram essas exclusões. 

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A primeira exclusão é da discussão sobre as estruturas e organizações sociais, sobretudo no que diz respeito à desigualdade. É possível identificar as teorias pedagógicas não-críticas como sua causa. As teorias pedagógicas podem ser divididas em não críticas, também conhecidas como liberais, e críticas, que vieram como uma forma de contraposição às alternativas existentes anteriormente (SAVIANI, 1999).

Dentre as teorias não críticas, há o tradicionalismo que esteve presente durante o século XIX no Brasil e dura até os dias atuais: essa estrutura possibilita que as escolas consigam atender à alta demanda de alunos. A principal metodologia das escolas tradicionais é a transmissão oral e assimilação dos alunos, elas contam com o professor sendo o foco principal e hierárquico.

Em suma, as experiências de vida dos estudantes não são levadas em consideração. Também existem as escolas técnicas, que criticam o ensino “teórico e não necessário” e priorizam o estudante dentro da fábrica, ignorando, em partes, suas experiências de vida e questões humanísticas (SILVA, 2006).

Nesse sentido, as pedagogias liberais entendem que a função da escola é preparar os indivíduos para a sociedade, excluindo do currículo questões acerca da desigualdade social. 

 Outra exclusão presente nos currículos é a da cultura das classes subalternas. A escola privilegia a cultura da classe dominante, criando o que Bourdieu (2011) denominou de capital cultural.

O capital cultural gera uma vantagem para os estudantes da elite, uma vez que compreendem com mais facilidade o conteúdo estudado, contribuindo para a constituição do sistema de ensino como uma violência simbólica contra a população mais pobre.  

A discussão sobre gênero também sofre tentativas, algumas vezes bem-sucedidas, de exclusão dos currículos. As construções sociais de gênero têm papel fundamental no estabelecimento das estruturas sociais e organização de poder, além de serem responsáveis pela violência de gênero.

Sendo assim, é imprescindível que esse tema faça parte do currículo escolar. No entanto, ele é amplamente combatido por grupos reacionários e religiosos que utilizam como argumento a defesa da “família tradicional”, alegando que a chamada “ideologia de gênero” seria uma ameaça às crianças, pois têm como objetivo a implantação de uma “ditadura gay” por meio da doutrinação dos professores.

Essas reações têm fundamentação, sobretudo, no desejo de manutenção do status quo, uma vez que questionar as normas de gênero implica em formular novas possibilidades de organização social e de poder. (BONFANTI, GOMES, 2018). 

Há também o problema do colonialismo implícito no currículo, onde não são representadas visões nativas brasileiras ou negras, dando enfoque majoritariamente nas narrativas brancas colonializantes, sendo elas visões degradantes ou que menosprezam as vivências e culturas nativas e negras, ambas diversas dentre si e fundamentais para a formação do que podemos conceituar como Brasil e brasileiros, esse enfoque também se enquadra nos interesses da elite dominante que por si, é majoritariamente branca, sendo assim é vantajoso a promoção de uma narrativa histórica que privilegie o lado branco dominante (BANIWA, 2019) 

Essas exclusões do currículo, portanto, são resultado dos valores de uma população e da percepção que ela tem sobre educação e o que deve ser ensinado nas escolas. Observa-se, entretanto, que essas exclusões estão ligadas à supressão de minorias que, na verdade, compõem a maior parte da população brasileira.

Nesse cenário, a educação deixa de ser instrumento de libertação e se torna meramente reprodutora das estruturas sociais e da desigualdade, contribuindo com o desejo da elite de manter a sua posição dominante.

Apesar de a legislação educacional amparar os professores no ensino de uma percepção crítica acerca da realidade, esses, muitas vezes, sofrem ataques ao discutirem desigualdade, gênero, raça e outros temas em sala de aula.

Esses ataques persistem devido à ampla recepção da ideologia da elite que, na intenção de conservar sua posição social, distorce os valores educacionais, fazendo com que parte da população lute contra seus próprios interesses e sua libertação. 

O currículo é excludente devido à própria constituição da instituição escolar. Entende-se que essa constituição se dá a partir de dois eixos. O primeiro eixo seria a disciplina, que normaliza os corpos.

A disciplina impõe um padrão de comportamento a partir da vigilância e um sistema de punição e recompensa. Sendo assim, exclui-se aquilo que não é propício para a formação de um corpo dócil e eficiente. O segundo eixo, por sua vez, seria a concepção do ser humano como um ser racional.

Essa definição é construída nos séculos XVII e XVIII e pressupõe que a razão é universal a todos os seres humanos, ou seja, existe um conhecimento verdadeiro que independe da cultura. Quando a escola assume essa premissa, o currículo passa a se basear nesse conhecimento verdadeiro, imutável, científico; possibilitando que os alunos alcancem a maioridade ou esclarecimento.

São excluídos do currículo todos os demais conhecimentos. A escola, nesse sentido, surge num contexto de padronização e exclusão, o que acaba por refletir em seu currículo. O fenômeno da exclusão curricular, portanto, não é algo limitado às problemáticas recentes, mas é inerente à constituição da escola. 

 Conceito de educação

Educação deve ter o poder de emancipar o estudante e o educador, fazer com que ele se torne capaz de ir atrás do conhecimento sozinho. E, neste processo, o professor deve ser visto apenas como um intermediário, como aquele que está presente para ajudar o estudante a encontrar os seus objetivos.

Diferente do que costumamos pensar na maioria das vezes, o estudante possui a capacidade de encontrar o aprendizado sem a explicação do professor. Por isso, a gamificação e até mesmo os livros poderiam ser essenciais neste processo, que não é fácil, mas garante resultados satisfatórios.  

Na obra do autor Ranciere, conseguimos ter uma noção do que se trata a educação da autonomia: os alunos conseguiram aprender francês sozinhos, mesmo sem que o professor estivesse lado a lado acompanhando e explicando a língua. O aprendizado veio através de análises e trabalhos em grupo. Foram muito além do que o mestre esperava, mostraram ser muito mais capazes.  

Quando o professor tenta ensinar apenas com suas explicações, com seus pontos de vista, acaba puxando o estudante para baixo de suas asas e, em muitos casos, impede-os de se tornarem autônomos na busca pelo conhecimento e emancipação. O educando aprende, assim, somente uma versão, sente a necessidade de alguém do seu lado para que consiga entender, compreender ou associar algo. A educação também trata de abrir caminhos, não de puxar para baixo das asas.

Por isso, é mais que necessário que o professor ajude o aluno com as ferramentas (livros, dicas, auxílios), mas que não entregue tudo pronto e já feito. É importante deixar com que o estudante siga a sua trajetória, veja as coisas por ele mesmo. Ao invés de ensinar pela explicação, educar pela problematização. 

No entanto, não podemos entender o professor como apenas alguém que está disponível para ensinar aquilo que o estudante deseja aprender. É isto que Gert Biesta chama de educação como transferência econômica, pois o professor presta um serviço (educação) conforme o desejo de seu cliente (estudante).

Quando isso ocorre, despreza-se a formação do professor como alguém capaz de identificar não apenas o que o estudante quer, mas também aquilo que ele necessita. Provocá-lo, questioná-lo para que reflita sobre a realidade e não apenas estude o que corrobora aquilo que ele já pensa. 

Segundo Paulo Freire, Educação também é um ato político, uma prática intencional e consciente (práxis) com o objetivo de transformar a realidade social.

Ela não deve simplesmente reproduzir as desigualdades ou adaptar o aluno à estrutura social vigente, mas sim, possibilitar que ele tenha um entendimento crítico da realidade para que para que possa transformá-la.  

Além disso, considerar a multiplicidade de inteligências e de conhecimentos também é importante. Quando se parte da premissa de que há apenas um tipo de conhecimento verdadeiro/válido, privilegia-se uma parte pequena da população, relegando aos outros uma posição inferior, de menos capazes ou inteligentes.

Devemos entender que a humanidade, ao longo da história, constituiu-se de vários grupos que construíram diversas formas de entender e se relacionar com a realidade à sua volta. Inferiorizar essas formas de conhecimento é transformar o ato de educar em doutrinação.

A educação deve partir do conhecimento que o aluno já possui e desenvolvê-lo, não apenas depositar conteúdos nele para que ele absorva como uma esponja. Nesse sentido, educar também é reconhecer as diferenças. 

Novamente, segundo Paulo Freire, A educação é uma resposta da finitude da infinitude, essa afirmação explicita um argumento que pretende explicar o papel da educação, onde o ser humano é um ser inacabado, porém consciente, sendo consciente ele busca entender-se, essa busca por entendimento próprio é a raiz da educação, logo relata Freire, a educação é possível para o homem, porque este é inacabado e sabe-se inacabado. Isto o levaria à sua perfeição. 

Portanto, o ser humano presume a educação quando tenta se entender, passando assim ao longo do tempo o conhecimento de si para os próximos, assim pode-se declarar que a educação não se pratica no âmbito individual e sim em uma coletividade de conhecimento, como afirma Freire quando diz que o homem não é uma ilha, mas sim comunicação. Logo, há uma estreita relação entre comunhão e busca. 

 Planos de aulas 

Disciplina: História 

Ano: 1 ano do Ensino Médio 

AULA 1 

Proporcionar uma roda de conversa com os estudantes sobre a realidade deles, sua visão de mundo e os problemas que consideram relevantes. Pode-se perguntar o que eles gostam de fazer no tempo livre, se trabalham, se tem o hábito de ler, quais conteúdos consomem em livros/filmes/música/redes sociais o que acham da escola/professores/coordenação, a relação com a família, qual sua opinião sobre a cidade e a comunidade, o que pensam sobre política, o que acham que poderia ser melhorado na escola/cidade/país, entre outras. 

Objetivo: entender a realidade do estudante e como ele a enxerga, para que o processo educativo aconteça a partir disso, conforme a epistemologia freireana. Também entender melhor como ele vivencia o espaço escolar e o processo educativo, com o objetivo de respeitar a sua individualidade e para que nem o estudante e nem os temas que permeiam a sua realidade sejam excluídos do currículo escolar. 

AULA 2 

Estender o diálogo do entendimento que o estudante tem da realidade ao entendimento que ele possui sobre História e História Antiga.  

Objetivo: continuar a diagnosticar caminhos possíveis para traçar no processo educativo que partam do conhecimento prévio e da realidade do estudante. 

AULA 3  

Identificação de um problema. Propor que os estudantes escolham, em grupos com interesses comuns, um problema de sua realidade e busquem uma relação com a História Antiga.  

Objetivo: possibilitar que os estudantes construam o conhecimento de forma emancipada, com pesquisa e sem transmissão de conteúdo por parte do professor. A escolha do tema relacionado à realidade do estudante também pretende possibilitar mais autonomia e envolvimento, e menos exclusões e aplicação de um currículo universal de conhecimento. 

AULA 4 

Pesquisa dos grupos sobre o tema escolhido. Discussão entre a turma e orientação do professor. 

Objetivo: Aprofundar a pesquisa e produção de conhecimento, de forma emancipada, e troca de conhecimentos entre os estudantes e professores. 

AULA 5 

Produção de material informativo com os resultados das investigações. Os grupos devem confeccionar uma publicação para redes sociais com um resumo do seu tema, investigação e resultados. 

Objetivo: Que os estudantes desenvolvam uma síntese de processo de investigação e do que aprenderam. Compartilhar o conhecimento e estabelecer diálogo com a comunidade externa.  

AULA 6 

Socialização dos resultados com a turma e debate sobre o material informativo e o processo como um todo. 

Objetivo: Que os professores e estudantes dialoguem com o tema/investigação/resultado de cada grupo, proporcionando um aprendizado coletivo. 

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