Adolescente morre após esperar por atendimento por quatro horas na frente de um hospital em Vila Velha, na Grande Vitória. O caso aconteceu na madrugada deste sábado (30).
Kevinn Belo Tomé da Silva, de 16 anos, começou a passar mal em casa na segunda-feira (25), e na quarta-feira (27), foi internado no Pronto Atendimento Paulo Pereira Gomes, em Cachoeiro de Itapemerim, onde morava com a família.
Devido ao grave estado de saúde do adolescente, na sexta-feira (29) os médicos do pronto atendimento informaram que o garoto precisaria ser transferido para um hospital para que pudesse ser colocado na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI).
Dessa maneira, o adolescente e a mãe deixaram a cidade de Cachoeiro por volta das 22h30 em uma ambulância paga pelo governo do estado. A vaga no hospital, conforme eles, estava reservada.
De acordo com a mãe, o adolescente teve duas paradas cardíacas até o caminho do hospital, e outra parada na porta do hospital.
“Ele falava ‘mãe, não me deixe morrer, eu acho que vou morrer hoje’”, contou Suzana Belo da Silva, mãe do adolescente.
Adolescente morre sem receber atendimento médico
Kevinn chegou na ambulância por volta de 0h30. Entretanto, apesar da vaga reservada, não foi atendido ou admitido no Hospital Himaba.
De acordo com a família do garoto, inicialmente acreditava-se que a demora seria pela falta de um leito, mas não. Conforme a direção do hospital, a vaga do adolescente estava reservada na UTI.
No hospital, a médica responsável por dar entrada no internamento de Kevinn não prestou atendimento, e o adolescente morreu após uma terceira parada cardíaca por volta das 4h30 da madrugada.
Logo depois da morte do garoto, a família contou ao G1 que foram chamados para fazer o prontuário, mas já era tarde demais.
“A hora que ele teve a última parada cardíaca, que eles tentaram levar para dentro do hospital, os médicos falaram ‘agora não, agora nós vamos ter que fazer aqui [na ambulância]”.
Clayde Aparecida Belo da Silva, tia de Kevinn, contou que o menino sentia falta de ar e tinha uma infecção.
Boletim de ocorrência e investigação
A família do adolescente fez o registro de um boletim de ocorrência e exige que a morte seja investigada.
No momento, o caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Além disso, o delegado já ouviu familiares de Kevinn, diretores e funcionários do hospital, além da equipe que fez o transporte do adolescente.
Até o momento, as médicas plantonistas não se apresentaram para depor, mas devem fazer isso em breve.
O hospital Himaba também informou que realizou um boletim de ocorrência e que fará uma representação ao Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) contra as duas médicas que estavam de plantão.
Afastamento das médicas
Logo depois da morte do adolescente, o Hospital Himaba afastou duas médicas que seriam as responsáveis por receber Kevinn.
Para o hospital, a conduta das profissionais é um flagrante de negligência médica.
“A instituição considera inadmissível negligência em qualquer atendimento, já que a premissa do hospital é garantir acolhimento e assistência a todos os pacientes”.
Por fim, o hospital garantiu que tinha uma vaga reservada para atender o adolescente.
Kevinn Belo Tomé da Silva foi enterrado neste domingo (1º), no Cemitério do Coronel Borges, em Cachoeiro de Itapemirim.
