Após dois casos de gripe aviária serem confirmados no Paraná e um na cidade baiana de Alcobaça, o Brasil chegou a um total de 48 focos da influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1). O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha para impedir que o vírus chegue em aves de produção comercial.
Segundo o Mapa, o primeiro caso de gripe aviária no Paraná foi registrado em Antonina, no litoral do estado, e confirmado pela Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento na última sexta-feira (23). Um dia depois, no sábado (24), o segundo caso de gripe aviária foi confirmado em Pontal do Paraná, também no litoral.
Ambos foram detectados em aves silvestres da espécie Trinta-Réis-Real (Thalesseus maximus). De acordo com a secretaria estadual, um terceiro caso está em investigação no Paraná. Em Alcobaça, o caso da H5N1 também é referente à infecção de uma da Trinta-Réis-Real.
Até o momento, todos os casos da doença no Brasil foram registrados em aves silvestres. No entanto, a descoberta de que a gripe aviária está circulando no Paraná, o maior produtor e exportador de carne de frango do país, ascendeu um sinal de alerta para as autoridades.
Na segunda-feira (26), o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), que reúne representantes do poder público, produtores rurais, sociedade e entidades representativas, realizou uma reunião de emergência para debater as melhores formas para conter o avanço da doença em solo paranaense.
Entre as medidas tomadas, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) suspendeu por 90 dias a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) para aves do litoral. O objetivo é impedir que os animais cheguem a outras regiões do estado e a qualquer parte do país.
No dia 22 de maio, o Ministério da Agricultura decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional por pelo menos 180 dias e reforçou medidas para impedir que o vírus chegue aos plantéis comerciais.
Em 6 de junho, o Governo Federal abriu um crédito extraordinário de R$ 200 milhões destinados para ações de enfrentamento à influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1).
É importante destacar que, como não foram registrados casos de H5N1 na produção comercial de aves, o Brasil continua com o status de “livre da enfermidade” perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Gripe aviária
O H5N1 é um subtipo do vírus Influenza que atinge majoritariamente aves e é pouco encontrado entre mamíferos e humanos. Ele é considerado de alta patogenicidade porque se manifesta de forma mais grave, se alastra rapidamente entre as aves e tem um alto índice de mortalidade nesses animais.
A gripe aviária não é transmitida para humanos pelo consumo de carne ou ovos, mas principalmente pelo contato direto com aves infectadas vivas ou mortas. A infecção também pode ocorrer por meio de água contaminada com dejetos ou restos dos animais infectados.
Entre outubro de 2021 e abril de 2023, mais de 42 milhões de casos da doença em aves foram contabilizados em todo o mundo, resultando em 15 milhões de mortes e 193 milhões de animais sacrificados.
No final de março, o Chile confirmou o primeiro caso de infecção por H5H1 em um ser humano. Até o momento, no entanto, não foi registrado nenhum caso de transmissão de humano para humano. As vacinas atuais contra a influenza protegem apenas contra as cepas H1N1 e H3N2 da Influenza.
