Ricardo Silva Alves, tio da cigana Hyara Flor Santos Alves, de 14 anos, morta em Guaratinga, no extremo sul da Bahia, admitiu em entrevista que manteve um relacionamento amoroso extraconjugal com a sogra da vítima por pelo menos seis anos.
Familiares de Hyara acreditam que ela tenha sido assassinada por vingança devido ao romance entre os membros das duas famílias envolvidas. Ricardo e o irmão Hiago Alves, pai da adolescente, vão mais longe e afirmam que o crime foi premeditado e arquitetado antes do casamento da jovem cigana.
Em entrevista ao jornal ‘O Globo’, Ricardo revelou que logo no início do relacionamento extraconjugal com Janaína, sogra da cigana morta na Bahia, o marido da mulher descobriu tudo e chegou a ameaçá-lo de morte. Mas o casal continuou se encontrando e a comunidade cigana de Guaratinga sabia do caso dos dois.
“Todo mundo desconfiava. Eu tentava não deixar na cara, mas a Janaína não conseguia”, disse Ricardo ao ‘O Globo’.
O tio da jovem cigana disse ainda que tentou por várias vezes colocar um fim no romance, mas afirmou que a amante era obcecada por ele e costumava presenteá-lo com bens caros como, por exemplo, uma pulseira de ouro e R$ 25 mil.
Segundo Ricardo, os presentes de luxo tinham o objetivo de evitar que ele deixasse Janaína e quando ele falava em terminar, a mulher ameaçava cometer suicídios. Ele conta que ela já teria tentado se enforcar em uma das ocasiões.
Na entrevista, o tio da cigana Hyara também disse que quando soube que a sobrinha iria se casar com o filho da amante, há aproximadamente um ano, os dois se afastaram e só voltaram a se falar cerca de 90 dias antes do crime.
O crime ocorreu no dia 6 de julho. Na ocasião, a jovem foi baleada no rosto dentro da casa em que vivia com o esposo, com quem estava casada há pouco mais de dois meses, anexa ao imóvel dos sogros. Ela chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu.
Em entrevista à Salvador FM, a advogada da família de Hyara, Janaína Panhossi, contou que um dia antes de ser morta, a adolescente ligou para o pai, provavelmente, para pedir ajuda:
“Ela ligou na noite anterior para o pai, por volta de 20h, e disse que precisava muito falar com ele. Eles tinham uma relação muito próxima, mas ele acabou não indo. Na cultura deles, quando a filha casa, eles se metem o mínimo possível na vida da filha. Ele se arrepende muito, repete muito isso, diz que se tivesse dado importância, teria evitado”.
Toda a família do marido de Hyara, principal suspeito de ter atirado na jovem, está foragida. Antes da fuga, eles alegaram que o tiro foi acidental.
