As casas de apostas fizeram o valor dos patrocinadores master do Corinthians, Flamengo e São Paulo quase triplicarem de 2023 para 2024. O que antes gerava uma arrecadação de R$ 91 milhões, agora chega a R$ 255 milhões por ano, com um aumento de 180%.
Essa disputa no mercado da bola teve um incremento em um momento em que as empresas passam por ajustes para se enquadrar nas regras do governo federal.
De acordo com a Lei publicada em 3 de janeiro, as casas de apostas terão seis meses para se regularizar com sede no Brasil, caso contrário elas não poderão mais patrocinar os times ou fazer propagandas.
Clubes
O Corinthians teve o aumento mais valorizado. Ele recebia R$ 22 milhões por um acordo com a Neo Química e agora passou a receber R$ 120 milhões com a Vai de Bet. O acordo entre a casa de apostas e o clube é de três anos.
A empresa ainda não manifestou interesse em se inscrever no país, atualmente a operação está em Curaçao.
O Flamengo fechou com a Pixbet por R$ 85 milhões por ano um contrato válido por duas temporadas. Antes o patrocínio era do BRB que pagava cerca de R$ 45 milhões por ano. A empresa também tem cadastro em Curaçao.
O São Paulo fechou um acordo por R$ 50 milhões por ano, mais do que dobrando o valor recebido anteriormente, com a sportsbet.io que paga R$ 24 milhões. O novo contrato é válido por dois anos com a empresa que tem sede em Malta e está consolidada em outros países.
Mercado
Para Bernardo Pontes, sócio da Alob Sports que faz negociação de patrocínios esportivos, esses grandes incrementos não devem se estender a todos os clubes, apenas para aqueles que tem um impacto nacional.
“É mera matemática. Se você tem um público nacional, você tem muita torcida para converter. O impacto em clubes regionais junto a esses torcedores, e na sua base de sócios, é consideravelmente reduzido. Tô falando de audiência de TV, como tem Flamengo, Vasco.”.
E completou. “Não adianta achar que vai ter a alavancagem desses clubes. Não vai ser tão agressivo (um patrocínio de casas de apostas).”.
Assim, essa movimentação deve aumentar a disputa com clubes de repercussão nacional e regional. Além disso, Pontes acredita que deve haver uma consolidação e redução do mercado das casas de após quando a regulamentação entrar em vigor. Isso porque não são todas as empresas que teriam condições de pagar R$ 30 milhões de outorga.
Assim, ele acredita que vai diminuir a oferta de patrocínios e o valor cair a longo prazo. Agora, o mercado está no momento de ter maior demanda do que espaços disponíveis pelos clubes, pois a ideia é crescer no momento de regulamentação.
“A gente vai saber em um ano, um ano e meio, se o investimento da primeira linha permanecerá nesta ordem de grandeza. A partir do mercado que regulamentar, vai ter menos empresas atuando. Menos empresas, mais oferta de clube.”.
E completou: “Tem 300/500 empresas operando sem regulamentação. Estamos falando de 40 clubes Série A e B. Esse número de empresas vai cair para 80/100. Nem todas terão capacidade para patrocinar clube de futebol. Alguns clubes vão ficar com espaço liberado.”.
O Ministério da Fazenda já recebeu a manifestação de interesse em se regularizar no país e pagar pela outorga de 134 casas de apostas. Elas terão de pagar uma outorga de R$ 30 milhões para isso.
Outras casas poderão manifestar o interesse, pois tem seis meses para essa regularização, mas há possibilidade de ter uma redução de mercado com essa obrigação.
