O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou nesta terça-feira (27) o registro do primeiro caso de gripe aviária em aves domésticas de subsistência no Brasil. O animal infectado pela H5N1 fazia parte de uma criação de patos, gansos, marrecos e galinhas no município da Serra, no estado do Espírito Santo.
De acordo com o Mapa, a confirmação da ocorrência do foco do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP-H5N1) em aves de subsistência não traz restrições ao comércio internacional de produtos avícolas brasileiros, ou seja, o consumo e a exportação permanecem seguros.
O país só perde o status de “livre da enfermidade” perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) caso sejam registrados casos de H5N1 na produção comercial de aves.
Gripe aviária no Brasil
O primeiro caso de gripe aviária no Brasil foi detectado no dia 15 de maio. Até terça-feira (27), o país havia registrado 50 focos de H5N1 em aves silvestres, nos estados do Espírito Santo, Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
No dia 22 de maio, o Ministério da Agricultura decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional por pelo menos 180 dias e reforçou medidas para impedir que o vírus chegue aos plantéis comerciais.
Em 6 de junho, o Governo Federal abriu um crédito extraordinário de R$ 200 milhões destinados para ações de enfrentamento à influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1).
Na última sexta-feira (23), o primeiro caso de gripe aviária no Paraná foi registrado em Antonina, no litoral do estado, e um dia depois, no sábado (24), o segundo caso foi confirmado em Pontal do Paraná, também no litoral do estado.
Ambos foram detectados em aves silvestres da espécie Trinta-Réis-Real (Thalesseus maximus). No entanto, a descoberta de que a gripe aviária está circulando no Paraná, o maior produtor e exportador de carne de frango do país, ascendeu um sinal de alerta para as autoridades.
H5N1
O H5N1 é um subtipo do vírus Influenza que atinge majoritariamente aves e é pouco encontrado entre mamíferos e humanos. Ele é considerado de alta patogenicidade porque se manifesta de forma mais grave, se alastra rapidamente entre as aves e tem um alto índice de mortalidade nesses animais.
A gripe aviária não é transmitida para humanos pelo consumo de carne ou ovos, mas principalmente pelo contato direto com aves infectadas vivas ou mortas. A infecção também pode ocorrer por meio de água contaminada com dejetos ou restos dos animais infectados.
Entre outubro de 2021 e abril de 2023, mais de 42 milhões de casos da doença em aves foram contabilizados em todo o mundo, resultando em 15 milhões de mortes e 193 milhões de animais sacrificados.
No final de março, o Chile confirmou o primeiro caso de infecção por H5H1 em um ser humano. Até o momento, no entanto, não foi registrado nenhum caso de transmissão de humano para humano. As vacinas atuais contra a influenza protegem apenas contra as cepas H1N1 e H3N2 da Influenza.
