As duas brasileiras presas na Alemanha, depois de terem as malas trocadas por bagagens com drogas, usaram as redes sociais para contar que contraíram uma infecção causada pelo uso de roupas coletivas no presídio. Kátyna Baía, de 44 anos, e Jeanne Paolini, de 40, ficaram detidas por 38 dias sob acusação de tráfico internacional de drogas.
Segundo Kátyna, ela e a companheira passaram por uma bateria de exames após serem liberadas pela Justiça alemã e foi então que descobriram a infecção. Pelas redes sociais, ela informou que até mesmo as calcinhas eram compartilhadas na prisão.
“Voltamos com uma infecção bacteriana na pele que […] se deu em função do uso coletivo de roupas e calcinhas (sim, era tudo de uso coletivo). Mais um problema daquela prisão arbitrária e injusta. Mas vamos superar”, escreveu Kátyna, no último sábado (22).
O caso das brasileiras presas na Alemanha acabou por causar uma investigação que desmantelou um esquema de tráfico internacional de drogas, que ocorria há pelo menos oito anos. Segundo a Polícia Federal (PF), a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) é responsável pelos crimes.
Kátyna e Jeanne saíram do Brasil com a intenção de passar 20 dias viajando pela Europa, mas quando desembarcaram na Alemanha, no dia 5 de março, foram presas sob a acusação de estarem transportando 40 quilos de cocaína nas bagagens despachadas.
A investigação da Polícia Federal (PF) brasileira, no entanto, apontou que as mulheres foram vítimas de uma quadrilha de tráfico internacional de drogas, que operava no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), e tiveram as etiquetas de suas bagagens verdadeiras trocadas.
De acordo com imagens captadas por câmeras de segurança, a troca de etiquetas foi feita por funcionários terceirizados do aeroporto. A ação foi toda registrada e é possível ver que as malas das vítimas nem mesmo se pareciam com as malas cheias de drogas, nas quais foram colocados seus nomes.
A entrega da droga também foi filmada. Vídeos mostram que as malas carregadas de cocaína foram despachadas por duas mulheres não identificadas, após o encerramento do prazo de check-in, a uma funcionária do aeroporto.
No dia 4 de abril, a Polícia Federal prendeu seis suspeitos pelo crime. Todos os envolvidos trabalhavam em empresas prestadoras de serviços dentro do aeroporto.
Os vídeos e documentos da investigação da PF foram enviados para a Justiça do país europeu como forma de comprovar que as brasileiras presas na Alemanha não eram traficantes de drogas. Mesmo assim, as duas permaneceram mais de um mês detidas junto com criminosas e, segundo relatos, passaram fome e frio.
Elas foram soltas apenas no dia 11 de abril. A advogada que representa as duas afirmou que pretende abrir uma ação por danos morais contra o Estado alemão.
