Dois brasileiros foram mortos no ataque do Hamas em Israel no último sábado (8). Eles foram identificados como Bruna Valeanu, de 24 anos, e Ranani Nidejelski Glazer, de 23 anos. Já a Karla Stelzer Mendes permanece desaparecida. Todos estavam em uma festa de música eletrônica quando foram surpreendidos pelos terroristas.
Tanto a confirmação do falecimento de Bruna como a de Ranani ocorreram na terça-feira (10). Familiares da jovem informaram que o Exército Israelense havia encontrado o corpo da estudante, enquanto a morte do gaúcho foi divulgada pelo Itamaraty.
“O Governo brasileiro tomou conhecimento, com profundo pesar, do falecimento do cidadão brasileiro Ranani Nidejelski Glazer, natural do Rio Grande do Sul, vítima dos atentados ocorridos no último dia 7 de outubro, em Israel”, diz um trecho do comunicado.
“O governo brasileiro lamenta e manifesta seu profundo pesar com a morte da cidadã brasileira Bruna Valeanu, de 24 anos, natural do Rio de Janeiro, segunda vítima dos atentados ocorridos no último dia 7 de outubro em Israel”, escreveu o Itamaraty, em nota.
Bruna Valeanu morava no país há quase uma década e atualmente estudava Comunicação, Sociologia e Antropologia na Universidade de Tel Aviv, com competência em Marketing. Ela vivia com a mãe e uma de suas irmãs, enquanto a outra permaneceu no Brasil.
Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Ranani vivia há sete anos em Israel e tinha a cidadania israelense. Ele morava com alguns amigos na capital Tel Aviv e trabalhava como entregador. Segundo familiares do jovem, ele prestou serviço militar no Exército de Israel e completaria 24 anos na próxima sexta-feira (13).
Como brasileiros foram mortos em Israel
Bruna, Ranani e Karla participavam da festa rave ‘Universo Paralello’ quando o Hamas iniciou o ataque surpresa a Israel na manhã de sábado. O local fica no deserto de Negev, perto de Re-im, no sul de Israel, a menos de 20 quilômetros da Faixa de Gaza, aproximadamente meia hora da fronteira, e foi um dos primeiros alvos dos extremistas.
Cerca de 3 mil pessoas participavam do evento. Na tentativa de escapar, muitos jovens correram pelo deserto em busca de abrigo, mas foram perseguidos pelos terroristas palestinos, que atiravam bombas e usavam armas de fogo para tentar atingi-los.
Em entrevista ao G1, Nathalia, a irmã de Bruna que mora no Rio de Janeiro, contou que antes de desaparecer, a brasileira conseguiu se comunicar com familiares através de mensagens e informou que estava escondida em uma área de mata, que estava cercada por terroristas.
A última localização de seu celular enviada aos familiares mostrava que ela estava em uma região perigosa, “onde os terroristas entraram armados em caminhonetes, tanques, motos”, disse Nathalia.
Segundo informações, Ranani, a namorada e um amigo correram quilômetros até localizarem um bunker e se esconderem. Antes de morrer, o gaúcho chegou a gravar um vídeo no local. No entanto, os extremistas encontraram o esconderijo e passaram a jogar bombas e atirar contra a construção.
“O bunker em que nos escondemos foi metralhado por integrantes do Hamas e depois jogaram gás para todo mundo morrer asfixiado, foi quando comecei a pedir a Deus para sobreviver”, contou Rafaela Treistman, namorada de Ranani, em uma rede social. Ela e o amigo do casal sobreviveram.
De acordo com a organização de resgate Zaka, pelo menos 260 corpos foram encontrados na região. Já o número de pessoas sequestradas no local pelos terroristas é desconhecido.
Familiares de muitas vítimas reconheceram os filhos e parentes por vídeos gravados pelos próprios extremistas. Em um deles, uma jovem aparece seminua e deitada de bruços na caçamba de uma picape. Ela está cercada por terroristas que gritam, festejam e cospem em seu corpo.
Ricarda Louk afirma que a mulher que aparece nas imagens é sua filha: a artista alemã Shani Louk.
Juarez Petrillo, o DJ Swarup, pai do DJ Alok, iria tocar no evento e gravou o momento que a festa foi interrompida. Veja:
🎴URGENTE: a ediçao do Universo Paralello em Israel foi invadida por militares do Hamas, que entraram atirando em geral. A produção do festival teve que evacuar a área, mas ainda sim tiveram pessoas baleadas.
Vídeo do Juarez (Swarup), pai do Alok e criador do festival. pic.twitter.com/Z8wgnHto4M
— COBAT (@artcobat) October 7, 2023
